(mas namorei mil livros na fnac e espero trazer alguns comigo muito em breve!)
dei agora um saltinho ao colombo; estava por perto, tinha umas horas para preencher e precisava de ir à farmácia. acabei por dar um saltinho às lojas da praxe, para dar uma vista de olhos. conclusão: não vi nada assim que quisesse muito, não comprei nada, os descontos não era nada de especial mas... as lojas estavam a abarrotar de gente e as filas para pagar eram intermináveis.
concluo que as pessoas enlouquecem quando vêem a palavra descontos e nem param para pensar. (mesmo que o dito desconto seja de dois ou três euros!)
detalhes
vou ser sincera: por muito que a minha carteira aprecie que faça download de um livro em vez de o comprar; por muito que as minhas costas me agradeçam as caminhadas um bocadinho mais leves quando não preciso de levar um livro comigo porque o tenho no tablet... eu vou continuar sempre, sempre a preferir ler livros físicos, e vou sempre querer comprar os meus favoritos (ou aqueles que por um motivo ou outro, são especiais), e é sempre infinitamente melhor apaixonar-me por um livro numa livraria e trazê-lo comigo do que acabar por procurá-lo online.
ainda sobre a LFO | the world we live in
espectáculo à parte - maravilhoso, como já disse - houve uma coisa que me entristeceu.
por toda a parte, vimos pessoas a tirar fotografias. à entrada: montes de adolescentes, junto às figuras d'a bela e o monstro e do rei leão, a tentar que a multidão acalmasse o suficiente para poderem tirar fotografias. lá dentro: selfies por todo o lado. pais a forçarem os filhos a ficarem quietos e sorrirem para a fotografia. pais a forçarem os filhos a ficar em frente ao palco (onde, por trás, havia os lugares para a orquestra e o pano de fundo do concerto) e tirarem fotos (dificultando inclusivamente a passagem da multidão, but that's not the point).
eu percebo querer tirar fotografias. ter uma recordação em forma física de uma noite mágica e tão especial - percebo, sim, muito. e esse é um motivo maravilhoso para fotografar, e sei que há muitos para quem é o principal. o problema é que o que vi à minha volta não foram centenas de pessoas desejosas de manter presente um momento tão especial. o que vi, maioritariamente, foi uma ânsia enorme de dizer ao mundo, olhem para mim! nós estamos aqui! e isso entristece-me. como se a vida não valesse pela experiência em si, mas pela percepção dos outros da nossa experiência. não o contentamento interior de ter vivido, mas o grito ao mundo, olhem, eu vi, eu fiz! validem esta memória!
há uns dias apanhei o metro no aeroporto. a descer as escadas à minha frente ia uma família de três: pai, mãe e filho, o pequeno de uns cinco anos no máximo. o pai nunca falou com os outros dois e manteve um ar sériode morte. a mãe ralhava imenso com a criança. chegaram ao metro, sentaram-se... e o pai começou a tirar selfies. duas, três, quatro, sorrindo artificalmente e continuando a ignorar a família. às tantas pára de ignorar a família para poderem tirar selfies em conjunto. quando terminaram, voltaram ao silêncio, todos com ar sério e triste (sim, até o menino) depois dos sorrisos falsos para a fotografia. isto entristece-me tanto. vivemos para quê, afinal? que mundo é este?
(estou a esforçar-me por escrever sobre coisas boas e rodear-me de coisas positivas para tentar sentir-me mais feliz; a verdade é que desde a noite de domingo que moram sentimentos muito negativos, como raiva e irritação e incompreensão, dentro de mim, e o facto de não poder falar sobre eles com as pessoas que os causam - porque se falasse ia enervar-me e isso só tornaria tudo pior - faz com que sinta que não tenho forma de ultrapassar isso. é que a minha forma de lidar com o que me faz sentir mal é confrontar a pessoa responsável, o mais delicadamente possível, e explicar como me sinto e porquê. e assim, não podendo fazê-lo, sinto-me presa. há algumas características que eu pura e simplesmente detesto na minha família, como não dizerem o que pensam e adiarem decisões indefinidamente e permitirem que os outros se encham de falsas esperanças quando bastava serem sinceros desde o início.)
NymphoNinjas
hoje, a minha manhã super agradável e preguiçosa foi tornada ainda melhor quando encontrei o super cool (e super nsfw) NymphoNinjas.net - um site que exsuda body positivity e inclui imensas fotografias bonitas e sensuais, alguns contos eróticos e uma página imensas de respostas a perguntas que os leitores enviam, normalmente de cariz emocional e / ou sexual: pessoas que têm dúvidas sobre sexo, ou que pedem sugestões, ou que precisam de ouvir que é okay sentirem-se de determinada forma. enfim, um sítio em que se celebra o corpo humano em todas as suas formas e toda a sua beleza, e se fala abertamente de sexo - o que é, o que pode e deve ser, o que não deve de todo ser - como uma coisa boa e íntima e libertadora e muito mais. gostei mesmo. é bom saber que há por aí páginas destas, e pessoas como as que estão por detrás deste projecto; faz-me sentir muita esperança nas pessoas.
no sábado fomos ver a Lisbon Film Orchestra. foi um sonho, como sempre: bem sei que digo isto todos os anos (e este foi o terceiro em que tivemos o prazer e a bênção enormes de poder assistir a este concerto maravilhoso) mas todos os anos a noite da LFO é absolutamente mágica e é como se fosse a primeira e faz-me ser tão feliz e ter tanta esperança no mundo. tive lágrimas nos olhos na maior parte do tempo, e agarrei a mão do filipe com tanta força e bati tantas palmas, durante tanto tempo (e tão merecidas!) que me doíam as mãos, e sorri, sorri tanto, tanto. o rei leão, alladin, o corcunda de notre dame, a pequena sereia... foi mesmo, mesmo mágico. os músicos são extraordinários e a cada ano saio com a certeza de que foi ainda melhor que no ano anterior - coisa que, no ano anterior, me parecia impossível.
em suma: uma noite mágica. esta é daquelas coisas que quero fazer todos os anos, com o Filipe (e daqui a uns anos com outras companhias também :), até ao fim da minha vida.
(e o maestro nuno sá é magnífico, by the way!)
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