no sábado saí de casa a correr, já atrasada, com uma viagem de autocarro de vinte ou trinta minutos pela frente; e apesar do meu luto literário, era impensável fazer uma viagem assim sem a companhia de um livro. assim, em vez de começar uma experiência nova, fiquei-me pelas releituras: atirei para a mochila os contos extraordinários do allan poe e depois, sem pensar muito, levei também o the fault in our stars. por alguma razão apeteceu-me mais pegar neste último. e, caramba!: é um livro comercial (o que me aborrece), é super mainstream (o que também me aborrece) e tem aquela conversa maluca dos infinitos (sim, existem infinitos maiores que outros; sim, o cantor descobriu isto; não, isso não tem nada a ver com o paradoxo de Zenão e não, não é verdade que existam mais números entre 0 e 2 que entre 0 e 1!) mas continua a ser um livro maravilhoso e continua a fazer-me rir e chorar e sentir-me ainda mais apaixonada pela vida, pelo mundo. pelo privilégio de estar viva e sentir-me bem; por toda a imensa felicidade na minha vida.
adoro o nome ava. mais ainda depois de ver o ex machina - um filme absolutamente fantástico sobre o qual quero escrever, em breve. o nome é simples e bonito, mesmo ao meu gosto. problema: o filipe não está nada encantado com ele e portanto, enquanto não o convencer, continuamos com uma helena no futuro. :)
estou a usar o batom vermelho mais maravilhoso de sempre - vermelho forte, intenso, e (wonder of wonders!) que me permite beijar o filipe e fazer tudo o que quiser sem sujar nem um bocadinho (cortesia da minha i., mil obrigadas!).
plot twist: ainda estou de pijama. (polar. featuring um copo de leite e uma bolacha com os dizeres we are made for each other!.)
terminei, há uns dias, o medo do homem sábio. estou em período de luto: não me apetece começar a ler nenhum outro livro, logo eu, que mal consigo recordar-me da última vez em que não estive a ler nada. não me ocorre nada que queira começar de momento, nada para que me sinta in the mood, nada que seja tão deslumbrante e envolvente e perfeitamente escrito como tudo o que escreve o patrick rothfuss. alguém disse, numa crítica a um dos seus livros, not a word of the nearly-700-page book is wasted e é exactamente isso que eu sinto: são livros grandes e por vezes muito descritivos, mas cada palavra está lá por um motivo, deliberada e adequada e perfeita, e isso coloca os livros deste autor entre os melhores que já li. e também me faz sentir muito perdida de cada vez que termino um.
o que mais me faz feliz no mundo
são actos de amor e altruísmo e generosidade. ontem foi um dia cheio deles e, assim, ontem eu mal consegui parar de sorrir. há dias assim: em que a minha fé na humanidade é plenamente renovada. dias cheios de amor e cheios de sorrisos.
constatação:
nunca conheci uma pessoa em forma que não parecesse realmente feliz e muito bem com a vida.
São as perguntas a que não podemos responder que mais nos ensinam. Ensinam-nos a pensar. Se deres uma resposta a um homem, dás-lhe apenas um facto. Se lhe deres uma pergunta, fá-lo-ás procurar as suas próprias respostas.
(...)
Assim, quando encontrar as respostas, ser-lhe-ão preciosas. Quanto mais difícil a pergunta, mais dura será a caçada. Quanto mais dura for a caçada, mais aprenderemos.
O Medo do Homem Sábio, Patrick Rothfuss
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