house of cards

não disse, mas é claro que já acabámos as três temporadas disponíveis e o que tenho a dizer é: wow! há tanto tempo que não via uma série tão completa, tão incrivelmente bem feita (e que não perdesse qualidade de uma temporada para a seguinte, o que, na minha experiência, acontece quase sempre que uma série tem uma primeira temporada brilhante.). o frank underwood é incrivelmente charmoso e eu - apesar de me ter começado a aperceber de que não gosto muito dele como pessoa - sinto-me vaga e estranhamente atraída por ele e pela sua personalidade magnética. a claire é uma mulher magnífica e a dinâmica do casal é (era?) fantástica e uma das muitas razões para que eu goste tanto da série. tenho também uma mini crush no meechum (que tem a ver com muitas coisas, incluindo a famosa cena que o envolveu e a lealdade absoluta que ele tem para com os underwood), o doug é um dos personagens mais interessantes e bem construídas do mundo dos filmes e séries e a jackie é uma das minhas personagens favoritas de todo o sempre (e deslumbrante, que mulher!).

acho que house of cards é, em muitos sentidos, a série mais completa que vi nos últimos tempos. adoro que simplesmente não existam personagens a preto e branco, toda a gente tem profundidade emocional e traços contraditórios e muitas correntes subterrâneas que os tornam não lineares e, portanto, muito interessantes. há pouca ou nenhuma previsibilidade e superficialidade não é um adjectivo que eu usasse para descrever qualquer personagem. e já referi o quão extraordinariamente magnético o frank underwood é? acho que esta é uma boa série tornada verdadeiramente excelente pelo desempenho fenomenal do kevin spacey; fiquei rendida no momento em que vi o trailer (e só nesse momento, porque a descrição da wikipédia parcia francamente aborrecida. don't judge a book by its cover!). outra coisa: adoro quando o frank breaks the fourth wall, coisa que acontece com frequência e só me dá mais razões para idolatrar o personagem e a série. (kevin spacey, caramba, és brilhante.)

house of cards em três palavras: the. best. ever.

as pessoas ruivas (tanto ruivo-vermelho como ruivo-laranja) e com sardas são as mais bonitas!
acho que já disse aqui que a joanne harris é assim o meu guilty pleasure. sim, os livros dela não são os mais profundos ou imprevisíveis, mas parece que chega sempre mais um momento na minha vida em que percebo que são aquilo que me está mesmo a apetecer. gosto muito da sua magia muito particular (tanto a literal como a metafórica). durante a feira do livro deste ano não estava num desses momentos, mas decidi na mesma comprar o aroma das especiarias*, o mais recente da triologia da vianne rocher. há uns dias apeteceu-me comecá-lo; percebi então que não me lembrava bem do que já tinha acontecido nos dois livros anteriores e decidi reler o chocolate e os sapatos de rebuçado. e ainda bem, porque já quase o tinha esquecido e chocolate é um dos livros mais doces de sempre, daqueles que até aquece o coração. :)

*peaches for monsieur le curé no original; já disse que traduções tontas me aborrecem?
esqueci-me de dizer: eu e o Filipe (já) somos oficialmente lisboetas! :)

considerações | a diferença que fazem pessoas simpáticas e competentes

andava numa demanda para encontrar os jeans perfeitos. bom, começou como a demanda para encontrar os jeans perfeitos, mas depois, à medida que o meu desespero aumentava, transformou-se na demanda para encontrar uns jeans confortáveis (ênfase no confortáveis!) que me assentassem de forma minimamente decente*. decidi experimentar a salsa. na primeira vez que lá fui, pedi para experimentar jeans de corte recto. resultado: fugi apavorada do meu reflexo no espelho do provador, ou quase. na segunda pedi uma coisa intermédia entre recto e muito justo. a senhora deu-me umas push-up para experimentar. jesus. da terceira vez (já sem esperança) expliquei exactamente a uma (nova) menina o que pretendia e qual era o meu problema. ela ouviu-me, olhou para mim e além de alguns modelos que satisfaziam os meus requisitos, mandou-me experimentar uns jeans de perna justa - que eu ia ver, que eram super confortáveis, que só tínhamos que encontrar o modelo certo para mim e ela achava que aquele ia cair bem, mimimi.

resultado: uau!

ela estava absolutamente certa. a perna é justa mas a ganga não está a tentar estrangular-me as penas, só a acariciá-las docemente (sim, é assim tão bom.). e assentam tão bem! até o filipe me mandou trazê-las connosco. isto tudo para dizer que ter uma pessoa profissional e interessada atrás do balcão faz toda a diferença; se não fosse a menina eu teria voltado a sair da loja de mãos a abanar e super irritada, e assim descobri um mini milagre. :)

*nota para as pessoas da bershka e afins: eu sei que pode ser difícil de acreditar, mas pessoas no mundo cuja metade inferior das pernas não se assemelha a um palito. por favor, lembrem-se de nós!

sílvia, a technologically impaired (but not anymore!)

rendi-me ao século vinte e um e antes de ir para helsínquia e comprei um tablet. esta foi a minha primeira concessão aos avanços tecnológicos do mundo recente; vejo crianças de oito anos com telemóveis tão grandes que não lhes cabem nas mãos e mantenho-me fiel ao meu nokia básico, cuja bateria é praticamente eterna. mas o meu computador portátil, além de grande e pesadão, nunca recuperou do incidente do sumo de laranja do ano passado, e como deixei todas as pessoas importantes em portugal precisava de conseguir chegar a eles facilmente, sempre que quisesse. daí o tablet - não sem alguma relutância.

entretanto a relutância passou e admito que a coisa me dá imenso jeito, para tudo! (especialmente porque eu sou uma daquelas pessoas maníacas que consulta o email cinquenta e três vezes a cada hora, e o meu nokia primitivo dá para muito pouco.) ainda assim, culpo o tablet pela minha ausência mais ou menos prolongada aqui do blog: detesto (detesto!) escrever naquilo, não tenho jeito nenhum. agora que já voltámos à faculdade e estamos a tentar criar uma rotina (ênfase no tentar - isto do doutoramento é esquisito) voltou a minha vontade de vir para aqui falar de pequenos nadas. vou permitir-me ficar feliz por isso, também. :)

[reminiscências]

entrei na sala, vi-o deitado na cama estreita, ligado à máquina, e vieram-me as lágrimas aos olhos. não as esperava: sabia o que estava a acontecer, sabia que ia acontecer e tenho dito a toda a gente que apesar de tudo isto vai ser uma coisa boa; que ele vai começar a sentir-se melhor, que o vai deixar mais preparado para tudo o que aí vem. mas entrei na sala e ele parecia tão frágil, ali deitado. e eu quero estar com ele o tempo todo e agarrar-lhe a mão e falar sobre pequenos nadas e não posso; ele está ali e eu estou longe dele, à espera, a perguntar-me o que ele estará a sentir, o que estará a acontecer, sem poder fazer nada.

1 de Setembro de 2015