sílvia, a super-inapta

a sílvia compra uma água de manhã, num cafezinho. quando a abre descobre que tem gás. amaldiçoa a sua sorte e prossegue a sua vida.

à tarde, a sílvia passa pelo supermercado e compra duas garrafas de litro e meio porque já sabe que bebe muita água. chega ao hostel e aí  (só aí!) olha as garrafas com desconfiança; será água com gás de novo? tem um bloqueio cerebral e abana a garrafa com força. satisfeita com a ausência de bolhas, abre-a. conclusão: o chão do quarto é uma mini piscina. yay me!
estou sentada a uma mesinha, num café agradável com vista para uma das ruas do centro de helsínquia, perto da universidade, com uma  chávena de café, um cinnamon roll delicioso e o dark places. a mil quilómetros de distância física, o Filipe dorme. neste momento tudo está bem no meu coração. 

dia 1

estou acordada há vinte e quatro horas (e meia). tenho muita, muita coisa por dizer mas por agora: a) preciso de um caderno de viagens e b) acabei de comer a melhor sanduíche-de-mozarella-com-cenas-filandesas-que-não-sei-o-que-são  da minha vida.

ah, e já sei que miminho vou levar para o f. :)
é hoje. já tenho as malas feitas - acabei-as à cinco minutos (deve ler-se o filipe acabou-as; nisto de fazer as malas ele é mil vezes melhor que eu); a Diana está cá e eu fico tão feliz por ela cá estar e ao mesmo tempo o coração dói-me, dói-me, como sempre que uma despedida se anuncia. sim, é só uma semana; não é quase tempo nenhum, dirão muitos. eu sei. mas é uma eternidade para mim. e eu detesto, detesto dizer adeus, mesmo que só por algumas horas. e hoje digo adeus às duas pessoas da minha vida; e sim, é só uma semana, mas é uma semana de uma distância física tão grande e tão incomum. e dói, dói, dói. sim, estou entusiasmada e feliz. sim, estou nervosa e triste, triste. e não, isto não é paradoxal; sinto tanto neste momento.

facto:

vou estar nove dias sem o filipe. nove, inteirinhos; não me lembro da última vez que estivemos tanto tempo separados.

helsínquia

é já no sábado. é já no sábado. é já no sábado.
(depois da notícia terrível corri pela primeira vez seis quilómetros. não porque tivesses especial vontade de correr, de me esforçar, de ir mais longe; mas ele pediu-me e eu sei melhor que ninguém como as coisas pequeninas importam. e importam muito, para nós)