blue is the warmest colour

encontrei-o lá em cima - a comic, that is -, não resisti e trouxe-o comigo. lê-se muito bem; eu aproveitei a viagem de regresso, de comboio; já era noite lá fora, estávamos todos cansados e calminhos, e acho que ninguém notou as minhas lágrimas (excepto o f., de quem nem as tentei esconder; sim, i wear my heart on my sleeve.). gostei tanto! não é tão detalhado quanto gostaria, talvez; há saltos de muitos anos; mas os sentimentos lá descritos são tão reais, o livro retrata tão bem a vida (tantas vidas) que não consegui ficar indiferente. não é um fairy tale, uma história de amor romantizada e impossível; retrata, talvez, como tantas vezes mesmo as coisas boas podem correr mal, fala da vida, do desgaste, da indiferença, de tudo o que acabamos por arruinar. enfim: não é pesado, (mas) é bonito, é triste, é real e é bom. gostei mesmo.

  
(e, pelo meio, ainda arranjei uma oportunidade para usar o meu vestido amarelo super querido. estar apaixonada no porto é maravilhoso!)
do porto trouxemos, entre outras coisas: os jantares a dois (um miminho que adorámos - e comemoss tão tão tão bem!), o íman para o frigorífico da praxe (dois, na verdade: uma andorinha azul com um coraçãozinho branco, linda, e um que alude mesmo ao porto e tem umas cores maravilhosas), três postais com ilustrações deslumbrantes feitas à mão, muito amor e muito poucas fotografias (porque eu não tenho mesmo jeito para a coisa, e porque gosto mesmo é de recordar com a memória). :)
voltei a correr.

o pé magoado só foi uma desculpa para cerca de dois meses; para os restantes, vou alegar trabalho, cansaço, seminários, o calor, tudo isso. ontem (depois de semanas a pensar eu devia voltar) voltei, finalmente. cinco minutos bastaram para me relembrar do quanto detesto correr. já disse que detesto correr? o cansaço, a respiração sempre pesada (preciso mesmo de aprender a respirar), o calor, o caramba como é que o tempo passa tão devagar. detesto correr, detesto ter que lutar ferozmente contra mim mesma para não desistir; não acho que alguma vez corra uma maratona (três ou quatro horas a correr parece-me o inferno na terra); a perspectiva de ficar melhor nisto parece-me um sonho distante. não acho que alguma vez vá ser fácil, espero só que venha a acontecer apesar das dificuldades.

de qualquer modo, voltei a correr. enquanto corria amaldiçoei-me infinitamente e suspirei de desânimo, a pensar como é que vou arranjar coragem para voltar a sair de casa e ir fazer isto; daí a minha surpresa absoluta quando hoje me apercebi de que já estou a planear a próxima corrida, não sem algum entusiasmo.

Porto, a primeira noite

uma das viagem de comboio mais agradáveis de sempre. o sol, a companhia. chegar ao Porto: não consigo, por mais que tente, lembrar-me se chovia ou não. apanhámos o andante e lá nos separámos em dois grupos; saímos em plena rua de santa catarina e começámos a arrastar as malas, rua acima, até ao hostel. (primeira impressão do hostel: o pânico. o rapaz sem t-shirt que nos atendeu, a beber uma cerveja com os amigos à entrada; o ar hippie e de limpar-isto-com-freqeuência-para-quê?; enfim). abandonámos as coisas no quarto, não nos refrescámos (bem sei que é fancy chegar a um hotel e aproveitarmos para nos refrescarmos; mas o meu objectivo durante aqueles dias foi evitar ao máximo a nossa casa de banho), e saímos para ir descobrir o caminho pela cidade até ao outro grupo. o porto é uma cidade tão bonita.

encontrámo-nos na (vim mais tarde a saber) avenida dos aliados; o meu ponto guia era a torre dos clérigos, que se via lá por trás. começou a busca pelo jantar, do qual tenho a dizer o seguinte: as francesinhas são way overrated, embora não desagradáveis de todo. caminhámos ao acaso pelas ruas (pode ser do dia, da hora, mas encontrámos uma cidade tão calma e tão acolhedora). bebemos um café numa esplanada sobre uma praça bonita cujo nome possivelmente nunca saberei; aprendi sobre os nomes dos copos de cerveja e sobre as possibilidades de beleza na análise matemática.

regressamos ao hostel (felizes, felizes), que já não parecia tão terrível, pelo contrário. o filipe e eu partilhámos uma cama minúscula (com um edredão amarelo que não foi uma escolha nossa :); dormimos pouco e não dormimos muito bem; mas não me custou mesmo nada levantar no dia seguinte (às sete da manhã!), pela primeira vez na minha vida.

já disse que o porto é lindo?
(sentir-me tonta de desejo, a asfixiar de desejo)
se há coisa que me dá prazer - e um prazer muito inteiro, sem partes de culpa - é comprar livros novos. é verdade que ainda não li todos os livros que tenho na estante; é verdade que já tenho meses de leitura com estes, mesmo sem acrescentar volumes novos; mas não importa, livros são livros, eu vou lê-los a todos mais cedo ou mais tarde, e para mim - para nós - nunca são em demasia.

(isto para dizer que a feira do livro tem sido uma felicidade!)