uma manhã passada sozinha, à espera; uma espera inútil, fria e vazia de conteúdo, a solidão a apertar-me o coração no seu punho cerrado. estava sol, e podia ter sido bom, mas não foi. 

(a certeza inicial, a esperança, a desvanecerem-se lentamente até desaparecerem por completo e eu ser obrigada a encarar a realidade como ela é. a solidão, de novo. o vazio.)
(oiço pouco e) gosto tanto de nirvana.
lembro-me daquela quinta feira, no comboio. pergunto-me se chorava; penso que não. sentia-me destroçada por dentro, a cabeça a andar a roda, um sentimento tão forte, tão forte de irrealidade que dizia a mim própria que não podia ser assim, inevitável, terrível; devia haver uma forma de alterar isto, o que acontecera; aliás, alterá-lo aprecia-me uma ideia tão tangível que quase ficava surpreendida quando me obrigava a ser absolutamente racional e percebia a imutabilidade de tudo.

lembro-me da d. - não a vejo há anos, agora - que tentou ajudar sem sucesso: eu não queria ninguém.

percebi nesse dia coisas sobre mim que nunca teria previsto ou antecipado. coisas com força; coisas assustadoras, também. acho que deixei uma parte de mim para trás nesse dia.
nunca seria capaz de estar intimamente com alguém frio. talvez isto seja injusto mas, para mim, sentir não basta; preciso que o sentimento venha acompanhado de expressões e manifestações desse sentimento. podem tomar muitas formas ou só uma; e podem ser apenas esporádicas ou quase constantes; mas preciso delas como quem precisa de água.
durante o sono, muitas vezes mudo ligeiramente de sítio na cama ou de posição. então, meio a dormir, sinto o filipe a chegar-se mais para mim e (tão quente) a aninhar-me nos seus braços. :)
o f. surpreende-me tanto, tantas vezes. tanta atenção escondida, tantos pormenores, tanto amor.

you are meant to grow.

get out of your comfort zone.