lembro-me daquela quinta feira, no comboio. pergunto-me se chorava; penso que não. sentia-me destroçada por dentro, a cabeça a andar a roda, um sentimento tão forte, tão forte de irrealidade que dizia a mim própria que não podia ser assim, inevitável, terrível; devia haver uma forma de alterar isto, o que acontecera; aliás, alterá-lo aprecia-me uma ideia tão tangível que quase ficava surpreendida quando me obrigava a ser absolutamente racional e percebia a imutabilidade de tudo.
lembro-me da d. - não a vejo há anos, agora - que tentou ajudar sem sucesso: eu não queria ninguém.
percebi nesse dia coisas sobre mim que nunca teria previsto ou antecipado. coisas com força; coisas assustadoras, também. acho que deixei uma parte de mim para trás nesse dia.