(ainda sobre o dormir)

(há tempos conheci uma pessoa que dormia três, quatro horas por noite, apenas, todos os dias. dizia que não gostava de dormir, que queria aproveitar o tempo, fazer coisas; que cada minuto que passava a dormir era um minuto desperdiçado. na altura isto impressionou-me (impressionável como eu era, e tonta); durante uns tempos tentei dormir menos e menos, com medo do que estava a perder, do que não estava a viver. descobri que acabava por não apreciar devidamente mais de metade da beleza do mundo - deixei de reparar nas flores roxas no caminho, nas pessoas bonitas; ria muito menos. quando percebi isto voltei ao meu sono normal. entretanto eu e a pessoa acabámos por seguir caminhos diferentes, portanto nunca cheguei a dizer-lhe que ele não tinha razão. não temo os minutos desperdiçados a dormir; só os que desperdiçamos acordados.)

dormir

cá no departamento - pelo menos entre as pessoas que fizeram mestrado comigo, e que agora estão no doutoramento - dormir quase nada por noite é a regra. especialmente em épocas de muito trabalho (na altura em que andávamos todos a tentar terminar as teses foi um terror...), mas mesmo nas mais calminhas: conheço pessoas que nunca dormem mais de seis horas por noite, que não querem, que não conseguem.

quando eu andava a terminar a tese também dormia pouco - para mim, muito pouco. seis, sete horas, no máximo. mas, ao contrário das outras pessoas - que pareciam mais do que habituadas - eu detestava profundamente, e isso reflectia-se muito na minha disposição ao longo do dia (que não era nada boa, mas que também não se notava muito porque eu mal falava com outras pessoas, a não ser para o como é que se faz *inserir coisa* no latex? da praxe). a verdade é que não só preciso de dormir, como gosto de dormir. gosto mesmo; poucas coisas me sabem tão bem como não ter que pôr o despertador para o dia seguinte; adoro acordar cheia de sono por algum motivo e poder enroscar-me nos mil cobertores que tenho sempre e voltar a dormir; adoro, pronto. descansar até acordar naturalmente faz-me sentir maravilhosamente bem; acordo sempre muito mais feliz. houve uma altura em que o facto de precisar de dormir pelo menos oito horas por noite para me sentir (minimamente) bem me deixava envergonhada - parecia uma criança, pensava eu, as pessoas adultas não dormem tanto nem precisam de dormir tanto! pois bem, nisto deixem-me ser uma criança. vão haver sempre alturas em que descanso menos, é claro; mas sempre que puder, vou dormir até acordar descansada, e não me arrepender nem um bocadinho.

o dragão de gelo

o george r r martin escreveu um pseudo-livro-para-crianças. como eu sou toda a favor de pseudo-livros-para-crianças-que-na-verdade-também-são-para-crescidos quero muito tê-lo na minha estante :)
ainda não disse: roubaram o meu guarda chuva azul e branco aos coraçõezinhos, o mais bonito que já tive, que me fazia até gostar mais dos dias de chuva. (a diana adorava-o: saía com ele aberto mesmo em dias de sol, era a sua sombrinha.) sei que não o perdi, e como já não está na faculdade (onde o deixei) nem em casa (onde verifiquei apesar de saber que não estaria) sei que mo levaram. isto entristece-me tanto. gostava de ser mais nobre e dizer, espero que pelo menos o guarda-chuva faça a pessoa mais feliz, mas felicidade baseada na tristeza dos outros é tão egoísta...
o f. ofereceu-me também a edição lindíssima d'o monte dos vendavais pela dom quixote, que eu já queria ler há tanto tempo. ofereceu-ma porque eu estava tristinha e quis animar-me e livros bonitos fazem sempre bem

(e as edições da dom quixote são sempre tão lindas por dentro!)

(ninguém é perfeito*)

acho que nunca tinha partilhado isto por aqui: o f. não gosta de praia. *cries silently*

*e ainda bem: a perfeição é aborrecida.
(e sim, vai haver amarelo no meu vestido de noiva - penso numa pequena faixa na cintura, talvez com um lacinho atrás, que eu gosto de ser muito muito menina.)