a voz dela é maravilhosa, o instrumental é maravilhoso.

The dirty little world inside
That needs to come out
fazer mudanças nem sempre é fácil - é provavelmente uma das coisas mais difíceis de se conseguir, sobretudo se estivermos a apontar para uma mudança grande e a longo prazo. e eu ando sempre a pensar em todas as coisas que gostava de mudar na minha vida. ao longo dos anos, descobri que, ao contrário do que à primeira vista se poderia pensar, o que funciona bem comigo não é uma mudança de cada vez, mas sim juntar várias coisas que gostava de começar a fazer... e começar a fazê-las todas em conjunto. por vezes estas coisas estão relacionadas; por vezes não. alguns exemplos: (re)começar a beber dois litros de água por dia, não comer coisas terríveis, fazer exercício (pelo menos) três vezes por semana e fixar um horário de trabalho diário que é obrigatório cumprir. quando começa o novo regime e eu começo a fazer tudo isto sinto-me tão incrivelmente bem comigo própria! - sinto que controlo a minha vida e que ser melhor está ao meu alcance, nas minhas mãos. e o facto de ter várias coisas a cumprir ajuda-me a cumpri-las todas, por incrível que pareça: como me portei bem e fui correr não posso falhar com a água, se não falho com o plano; tenho bebido tanta água, não posso não cumprir o horário...!

existe, contudo, um downside: o que é que acontece quando - por vezes devido a circunstâncias completamente fora do meu controlo - falho, por uma vez que seja, uma das minhas resoluções? é claro que a resposta certa seria continuo com tudo o resto e dedico-me a essa, em particular, com ainda mais afinco, assim que puder; mas infelizmente o que me sucede sempre é que assim que falho pela primeira vez, se torna incrivelmente difícil para mim continuar. ontem bebi pouquíssima água e não cumpri o plano; já perdi, por isso hoje não vale a pena, que se dane... e esta semana quase não fiz exercício. pronto, voltei ao mesmo. desisto são pensamentos do género que começam a ocorrer-me, e é mesmo muito difícil ignorá-los. e é assim que um pequeno deslize se torna o fim de um projecto grande e bom, e me deixa sem vontade de voltar a tentar durante semanas a fio. bem sei que não faz sentido, que é uma reacção tonta, tão tonta, tão estúpida! mas e combatê-la? vinte e três anos de tentativas e ainda falho a maior parte das vezes.
sinto que neste momento estou a dar um molde à minha vida. isto parece uma coisa boa - soa como uma coisa boa, não é? - mas assusta-me e prende-me e eu não gosto. eu não quero dar um molde à minha vida. eu não quero sentir que estou a definir exactamente aquilo que ela vai ser (ou quase exactamente, de qualquer forma). eu não quero sentir que no ponto em que estou já só há um caminho a seguir. não! quero mil possibilidades, mil alternativas; eu nem gosto de decisões, mas quero decisões, a liberdade de escolher, a liberdade de mudar. quero. não quero ser linear, não quero fazer coisas porque é suposto fazê-las, porque é esse o caminho a seguir. quero sentir que existem mil possibilidades, possibilidades boas, desde que eu seja suficientemente corajosa para ir atrás delas.

(preciso de escrever isto agora, porque é um daqueles estados de espírito tão fugazes que não sei se daqui a uns minutos vou conseguir dizer o que me ia na alma. mas não me quero sentir presa. eu adoro o que faço. não me quero sentir presa)
ontem à noite, depois de acharmos durante horas que o filipe teria que ficar internado no hospital (durante quanto tempo? deixar-me-iam ficar com ele? haverá horas para visitas? ele teria que estar sozinho?), disseram-nos que ele podia vir para casa.

quando saímos do hospital, às onze horas, chovia muito (aquela chuva muito forte e muito direita, que não traz calor nem gelo nem humidade; chove, simplesmente). apetecia-me sair lá para fora; dançar, rodopiar de braços abertos. rir.

how to get away with murder

apaixonei-me.
a Diana leu para mim um livro da princesa Sofia, nestas férias. um livro inteiro - super correcta e entusiasmada. desde que ela era pequenina que tentei encorajá-la a ter uma relação próxima com os livros - se bem que não ache que ela tenha precisado de muito encorajamento; sempre me pediu muito para lhe ler histórias, e sempre foi a melhor forma de  distrair -, e tenho a sensação de que isso está a dar resultados, e de que faz dela uma aluna melhor e mais interessada. e não podia estar mais orgulhosa e feliz.
a turma da Diana tem uma tartaruga como mascote, uma coisinha pequenina e adorável chamada Risquinhas, que eu conheci esta semana. deixou-me com imensa vontade de ter uma também, que coisa mais tímida e querida!