se existe uma constante na minha vida académica, é o pânico. o nãovouconseguir,nãovouconseguir repetido como um mantra até a exaustão, a envenenar-me, a assassinar as minhas tentativas antes delas verem sequer a luz do dia. o medo, a sensação de impotência - a ilusão de impotência, caramba, e eu devia saber melhor, ao fim de todo este tempo; devia lembrar-me que fazer qualquer coisa é sempre, sempre melhor que não fazer nada, que sucumbir!

todos estes anos depois, ainda o pânico. não sei combatê-lo. não estou aqui com um grito de guerra, um eu vou conseguir!. (porque é que não estou? isso é uma boa pergunta. acho que devia estar. quando sou determinada e assertiva sou uma pessoa muito melhor.) hoje não posso gritar que consigo; mas também não estou a acreditar no contrário. e se não consigo dominar o pânico, vou fechá-lo num recanto qualquer da minha mente e ignorá-lo. e com o tempo talvez me esqueça que ele lá está; ou talvez não, mas that's not the point. the point is - possivelmente: isto não me define. isto não me define e só me limita se eu deixar. (hopefully.)
descobri recentemente que talvez (talvez!) possa dar apenas um seminário este semestre, em vez dos dois com que estava a contar.

sílvia: olha para mim! a minha vida afinal é boa!
filipe: ...?
sílvia: bem, depois de despachar este seminário, só tenho o projecto, os exercícios de geometria algébrica semana sim semana não, as aulas de tópicos que dou semana sim semana não, as duas aulas de funcional que vou dar, e depois dois exames!
sílvia: *pausa para reflectir*
sílvia: esquece o que eu disse. mas pelo menos tenho menos um seminário!

when life gives you lemons, sit in a corner and cry for chocolate

o que é que o universo me dá em resposta à minha iniciativa vou ser uma pessoa saudável? saúde? a capacidade de subir a alameda sem praguejar duzentas vezes? abdominais de ferro? não, uma inflamação qualquer horrível algures entre o meu tornozelo esquerdo e o meu pé, que faz com que andar seja um processo doloroso e me obriga a coxear estupidamente o tempo todo. okay.
se alguma vez fizer uma tatuagem, será as impressões digitais das minhas duas pessoas (ainda num sítio a determinar, talvez a omoplata).

eu e os collants:

uma malha enorme buraco a cada utilização.
(e eu, como não sou rebelde, não consigo usá-los depois disso.)
hoje, ao pequeno almoço, tive morangos com chocolate negro derretido, quente quente. o melhor começo de dia (para combater esta chuva triste)

os meus dias.

se conseguisse era tão bom. oh, era tão bom! mas não sei se consigo. isto não me parece bem. isto não me parece justo. e pode correr tão mal. eu não estou preparada. não devia. mas se conseguisse, oh, se corresse bem e conseguisse....!