as pessoas fazem coisas. e, às vezes, porque assim é a vida, essas coisas envolvem-me - directa ou indirectamente - a mim. e em algumas dessas vezes - novamente, a vida - eu dou comigo a pensar, com a ingenuidade irritante que nunca me larga completamente, eu nunca teria feito isto a esta pessoa, nunca. e pronto, é isto: o meu coração irritante e infantil acha que o amor é recompensado com amor, que os gestos pequenos são notados, compreendidos e devolvidos, que se recebe conforme se dá. e não é verdade. não é verdade, qualquer um percebe porquê: somos diferentes, damos importância a coisas diferentes, as coisas que me são mais queridas podem representar muito pouco, para outra pessoa, quando lhas entrego, e por representarem tão pouco que mal chegam a reparar, não farão o mesmo comigo. e isto é normal, e lógico, e faz sentido, e eu continuo sem o aprender; não zangada, não exigente (não posso exigir dos outros o que dou de livre vontade, de alma e coração), mas triste, triste e com este pensamento em repeat no fundo da mente a dizer-me quem me dera que o tivesse feito, quem me dera que tivesse reparado.
a Diana é a minha mana pequenina. nasceu quando eu tinha dezasseis anos e é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. na verdade, quando soube que ia ter uma mana bebé, não fiquei excessivamente feliz; preocupava-me a idade dos meus pais, preocupava-me as possibilidades que lhe poderiam proporcionar (ou a falta delas), preocupava-me tanto. mas tudo isso foi posto de parte quando ela nasceu, a minha pequena, doce e adorada Diana (que eu quis tanto que se chamasse Margarida, ou pelo menos Diana Margarida; mas não consegui convencer os meus pais.) adormeceu no meu colo dezenas, centenas de vezes enquanto a apertava contra mim e lhe falava sobre tudo e sobre nada: histórias que sabia de cor, coisas pequeninas dos meus dias, factos de biologia, de geologia, de física, de química e (claro!) de matemática. aos quatro anos, a Diana informou muito seriamente os meus pais que a sílvia está a estudar teo'ia dos conjuntos, que é a preferida dela!;aos seis é a menina mais doce e correcta que conheço. está a adorar a escola - fora os exercícios repetitivos, que abomina, e tenho que lhe ar razão nisso - e é tão aplicada e curiosa que me enche o coração de um orgulho imenso, de cada vez que penso nela. quando viu o meu guarda-chuva dos coraçõezinhos azuis não quis sair de casa com ele. - mas está sol lá fora, Diana! - não faz mal. é uma sombrinha, como tem a amber! [nos desenhos animados da princesa sofia, que ela adora e que são tão fofinhos que acabamos a vê-los juntos]. ofereci-lhe um livro do corpo humano (oh, o ar entusiasmado dela quando o recebeu!) e ela não deixa de me surpreender com as questões inteligentes e perspicazes que me põe quando o lemos, ou com os comentários que vai fazendo. levei-a a uma livraria e o ar maravilhado dela foi a minha maior prenda. é tão doce, a minha bebé crescida (já não sou nenhuma bebé, sílvia!) para sempre; o meu pequenino grande amor.
uma adenda ao post da pê, em versão matemáticos:
"vê-se facilmente que..." = eu sei que isto é verdade porque está escrito algures, mas não faço a menor ideia de como se demonstra.
The Quiet World
In an effort to get people to look
into each other's eyes more
and also to appease the mutes,
the government has decided
to allot each person exactly one hundred
and sixty-seven words, per day.
When the phone rings, I put it to my ear
without saying hello. In the restauraunt
I point at chicken noodle soup.
I am adjusting well to the new way.
Late at night, I call my long distance lover,
proudly say I only used fifty-nine today.
I saved the rest for you.
I saved the rest for you.
When she doesn't respond,
I know she's used up all her words,
so I slowly whisper I love you
thirty-two and a third times.
After that, we just sit on the line
and listen to each other breathe.
Jeffrey McDaniel
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