na terça feira passada, o meu dia começou às 10h da manhã e terminou às 7h da manhã seguinte, depois de uma tarde, uma noite e uma madrugada passadas a resolver exercícios. se me dissessem há uns tempos que teria cabeça para uma coisa destas, não teria acreditado.
sílvia, então o que foi este mês (or so) de ausência?
foram muitas coisas. foi o meu desânimo com o tempo cinzento, foi a fct a aborrecer-me dia sim dia sim, foram os meus desencontros com a geometria, foi a chuva, foi a falta de tempo para absolutamente tudo (até para as minhas doces leituras, ah), foi o gabinete novo a que falta aula, foram os planos adiados, foi o medo e o cansaço e a pouca vontade de aqui vir.
mas hoje aqui estou e a voltar a mim própria, por isso está tudo bem.
dos regressos (com passinhos de bebé)
poder dizer-te o que me faz triste e saber que me ouves. regressos a casa de mãos dadas, com muitas lágrimas e muitos conselhos e muita razão e muito amor. horas deitados sobre a tua cama, com os pés nas almofadas, a conversar baixinho. (e a pensar como tens as pestanas mais bonitas, o sorriso mais bonito.) a tua reacção quando abri e despi o roupão. todos os beijos, todo o amor. 24 anos. gosto mais de ti todos os dias.
expectativas
não tenho orgulho nenhum em dizer isto: compreendi, já há algum tempo, que uma parte substancial de mim (e uma parte feliz, também) se alimenta de perspectivas, da expectativa de coisas que estão para acontecer. não precisa de ser nada em grande; nenhum evento extraordinário, nada que demore meses a concretizar-se. mas, quando saio de casa de manhã, uma parte grande da minha felicidade e dos meus sorrisos vem de todas as pequenas coisas boas que deverão acontecer ao longo do dia. um encontro matinal, feliz; um pequeno almoço num sítio bonito; comprar um caderno novo ou um postal para enviar a alguém importante; saber que alguém de quem gosto vai ter um dia especial e estar entusiasmado por ele(a); por aí fora. bem sei que isto é demasiado pequeno, e que a minha felicidade seria mais segura se residisse nos objectivos a longo prazo ou até nas coisas boas mas duradouras que acontecem no presente, e reside em parte, mas as coisas pequeninas que distinguem positivamente cada dia do seu anterior são-me mais preciosas do que consigo exprimir.
assim, quando me tiram isto, quando me destroem egoisticamente as expectivas e arruínam os pequenos momentos de doçura, arruinam também partes importantes da minha felicidade. e isso magoa muito, demasiado para continuar a escrever, por agora.
My notebook has remained blank for months
thanks to the light you shower
around me. I have no use
for my pen, which lies
languorously without grief.
Nothing is better than to live
a storyless life that needs
no writing for meaning —
when I am gone, let others say
they lost a happy man,
though no one can tell how happy I was.
Ha Jin, Missed Time
thanks to the light you shower
around me. I have no use
for my pen, which lies
languorously without grief.
Nothing is better than to live
a storyless life that needs
no writing for meaning —
when I am gone, let others say
they lost a happy man,
though no one can tell how happy I was.
Ha Jin, Missed Time
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