expectativas

não tenho orgulho nenhum em dizer isto: compreendi, já há algum tempo, que uma parte substancial de mim (e uma parte feliz, também) se alimenta de perspectivas, da expectativa de coisas que estão para acontecer. não precisa de ser nada em grande; nenhum evento extraordinário, nada que demore meses a concretizar-se. mas, quando saio de casa de manhã, uma parte grande da minha felicidade e dos meus sorrisos vem de todas as pequenas coisas boas que deverão acontecer ao longo do dia. um encontro matinal, feliz; um pequeno almoço num sítio bonito; comprar um caderno novo ou um postal para enviar a alguém importante; saber que alguém de quem gosto vai ter um dia especial e estar entusiasmado por ele(a); por aí fora. bem sei que isto é demasiado pequeno, e que a minha felicidade seria mais segura se residisse nos objectivos a longo prazo ou até nas coisas boas mas duradouras que acontecem no presente, e reside em parte, mas as coisas pequeninas que distinguem positivamente cada dia do seu anterior são-me mais preciosas do que consigo exprimir.

assim, quando me tiram isto, quando me destroem egoisticamente as expectivas e arruínam os pequenos momentos de doçura, arruinam também partes importantes da minha felicidade. e isso magoa muito, demasiado para continuar a escrever, por agora.
este setembro triste, cheio de chuva e de talvez, cheio de coisas por resolver. um espaço novo onde não me sinto à vontade. um sufoco omnipresente, palavras tristes. distracções, mágoas. e não sei bem como vai acabar.
My notebook has remained blank for months
thanks to the light you shower
around me. I have no use
for my pen, which lies
languorously without grief.
Nothing is better than to live
a storyless life that needs
no writing for meaning —
when I am gone, let others say
they lost a happy man,
though no one can tell how happy I was.


                                                                                                                                                           Ha Jin, Missed Time

falhar

Às vezes voltamos a acreditar. E quando acreditamos não queremos acreditar. As coisas boas também nos acontecem. Mas depois levantamos os braços, porque estamos à espera de falhar. Estamos sempre à espera de falhar. E levantamos os braços porque sabemos que se cairmos sem os braços nos protegerem batemos com a cara no chão. E doi. Nós sabemos que vai doer. E já sentimos a dor antes de nos doer. E se levantarmos os braços e não cairmos? Quando nos acontece uma coisa boa estamos sempre à espera que o seu fim seja mau. Estamos sempre à espera de cair. E como é que se muda isso?

FilipaDeLima, no seu Eu explico. é isto.
sempre que abro um livro de lógica percebo (recordo) porque é que gosto tanto dela.
quando entro em algum sítio és sempre tu que procuro, é sempre para ti que sorrio, é sempre a ti que te quero encontrar. sempre que tento parecer mais bonita, é para ti, só para ti.
os centros comerciais fazem-me sentir desadequada