não tenho orgulho nenhum em dizer isto: compreendi, já há algum tempo, que uma parte substancial de mim (e uma parte feliz, também) se alimenta de perspectivas, da expectativa de coisas que estão para acontecer. não precisa de ser nada em grande; nenhum evento extraordinário, nada que demore meses a concretizar-se. mas, quando saio de casa de manhã, uma parte grande da minha felicidade e dos meus sorrisos vem de todas as pequenas coisas boas que deverão acontecer ao longo do dia. um encontro matinal, feliz; um pequeno almoço num sítio bonito; comprar um caderno novo ou um postal para enviar a alguém importante; saber que alguém de quem gosto vai ter um dia especial e estar entusiasmado por ele(a); por aí fora. bem sei que isto é demasiado pequeno, e que a minha felicidade seria mais segura se residisse nos objectivos a longo prazo ou até nas coisas boas mas duradouras que acontecem no presente, e reside em parte, mas as coisas pequeninas que distinguem positivamente cada dia do seu anterior são-me mais preciosas do que consigo exprimir.
assim, quando me tiram isto, quando me destroem egoisticamente as expectivas e arruínam os pequenos momentos de doçura, arruinam também partes importantes da minha felicidade. e isso magoa muito, demasiado para continuar a escrever, por agora.