falhar

Às vezes voltamos a acreditar. E quando acreditamos não queremos acreditar. As coisas boas também nos acontecem. Mas depois levantamos os braços, porque estamos à espera de falhar. Estamos sempre à espera de falhar. E levantamos os braços porque sabemos que se cairmos sem os braços nos protegerem batemos com a cara no chão. E doi. Nós sabemos que vai doer. E já sentimos a dor antes de nos doer. E se levantarmos os braços e não cairmos? Quando nos acontece uma coisa boa estamos sempre à espera que o seu fim seja mau. Estamos sempre à espera de cair. E como é que se muda isso?

FilipaDeLima, no seu Eu explico. é isto.
sempre que abro um livro de lógica percebo (recordo) porque é que gosto tanto dela.
quando entro em algum sítio és sempre tu que procuro, é sempre para ti que sorrio, é sempre a ti que te quero encontrar. sempre que tento parecer mais bonita, é para ti, só para ti.
os centros comerciais fazem-me sentir desadequada
a minha primeira relação "séria" aconteceu - desconfio agora, em retrospectiva; na altura dizia a mim mesma que o amor não escolhe circunstâncias - porque eu não poderia obter (não facilmente, não brevemente) o objecto do meu desejo. escrevo isto e quase me rio, porque o escondi de mim própria e magoei, e magoei-me. a questão é que a minha parte favorita de tudo eram (são?) inícios. quando o coração bate depressa e nada é certo e tudo se insinua, quando os actos inocentes se prolongam até quase deixarem de o ser, quando as palavras são mais doces e mais íntimas. quando o nosso ego (e isto também merece referência) se compraz consigo mesmo, quando despertamos a atenção de alguém e a mantemos; era isto que procurava, sempre, mais do que tudo. por isto cometi os piores erros, e continuei a cometê-los. uma parte de mim sentia que, sem tudo isto ou, pelo menos, sem a possibilidade de o vir a sentir em breve (a imprevisibilidade faz parte do seu charme) seria tão menos livre e tão menos feliz. sentia que relações amolecem e prendem e perdem aquela sua graça e que isso era inevitável, e insuportavelmente triste.

tu és o único com quem cada novo dia traz um dia mais feliz e radiante que o anterior, com quem essa zona difusa (mas magnífica!) que é o início não é, nem de longe, a melhor, e isso faz-me amar-te ainda mais
gosto de reler livros. releio alguns porque os adorei, outros porque têm pormenores deliciosos que quero relembrar, outros porque - isto acontece-me muito com Saramago -  sinto que há mais neles mais, muito mais para ser captado e apreendido. gosto de livros que me trazem coisas novas a cada leitura. mas é mais do que isso. quando leio um livro, há tantas coisas exteriores ao livro que de algum modo lhe ficam associadas; o meu estado de espírito geral naquela altura, os momentos que marcaram a minha vida enquanto o lia, toda uma série de sensações difíceis de pôr em palavras mas que voltam a mim assim que abro. até cheiros, por vezes. assim, relê-lo também é recordar, e relê-lo é acrescentar-lhe outras memórias. e isso, por vezes, sabe-me bem.
o zé diogo quintela tem graça. para provas, leia-se "Restaurar a partir de uma cópia antiga". é isto.