a minha primeira relação "séria" aconteceu - desconfio agora, em retrospectiva; na altura dizia a mim mesma que o amor não escolhe circunstâncias - porque eu não poderia obter (não facilmente, não brevemente) o objecto do meu desejo. escrevo isto e quase me rio, porque o escondi de mim própria e magoei, e magoei-me. a questão é que a minha parte favorita de tudo eram (são?) inícios. quando o coração bate depressa e nada é certo e tudo se insinua, quando os actos inocentes se prolongam até quase deixarem de o ser, quando as palavras são mais doces e mais íntimas. quando o nosso ego (e isto também merece referência) se compraz consigo mesmo, quando despertamos a atenção de alguém e a mantemos; era isto que procurava, sempre, mais do que tudo. por isto cometi os piores erros, e continuei a cometê-los. uma parte de mim sentia que, sem tudo isto ou, pelo menos, sem a possibilidade de o vir a sentir em breve (a imprevisibilidade faz parte do seu charme) seria tão menos livre e tão menos feliz. sentia que relações amolecem e prendem e perdem aquela sua graça e que isso era inevitável, e insuportavelmente triste.

tu és o único com quem cada novo dia traz um dia mais feliz e radiante que o anterior, com quem essa zona difusa (mas magnífica!) que é o início não é, nem de longe, a melhor, e isso faz-me amar-te ainda mais
gosto de reler livros. releio alguns porque os adorei, outros porque têm pormenores deliciosos que quero relembrar, outros porque - isto acontece-me muito com Saramago -  sinto que há mais neles mais, muito mais para ser captado e apreendido. gosto de livros que me trazem coisas novas a cada leitura. mas é mais do que isso. quando leio um livro, há tantas coisas exteriores ao livro que de algum modo lhe ficam associadas; o meu estado de espírito geral naquela altura, os momentos que marcaram a minha vida enquanto o lia, toda uma série de sensações difíceis de pôr em palavras mas que voltam a mim assim que abro. até cheiros, por vezes. assim, relê-lo também é recordar, e relê-lo é acrescentar-lhe outras memórias. e isso, por vezes, sabe-me bem.
o zé diogo quintela tem graça. para provas, leia-se "Restaurar a partir de uma cópia antiga". é isto.
É extraordinário que alguma coisa possa ser tão perfeita. E intensa... Não te sentes a transbordar de amor o tempo inteiro?
A única coisa que quero é fazer com que te sintas tão extraordinária como a pessoa que eu vejo quando olho para ti. A pessoa extraordinária que eu amo mais do que qualquer outra pessoa no universo. A pessoa que me faz tão feliz e que faz com que o objectivo da minha vida seja retribuir.

tu

mandas-me as mais belas mensagens de boa-noite, depois de eu já ter adormecido, porque assim são a primeira coisa que vejo de manhã e começo o dia feliz. pedes-me que leia para ti e agarras a minha mão. conheces-me tão bem; reparas sempre nas minhas tristezas, mesmo as pequeninas, e acaricias-me o cabelo e dizes-me (tão docemente) que posso falar contigo. tu, meu amor, sempre ocupaste o maior lugar no meu coração. foi sempre a tua companhia que preferi, foi sempre a ti que queria contar tudo. foste a pessoa mais próxima de mim mesmo quando (dizia eu a mim mesma, a sentir-me culpada) outros deviam sê-lo. sempre te quis ao meu lado. sempre quis saber mais sobre ti. os meus melhores momentos foram sempre passados contigo, a ouvir-te falar sobre o que quer que seja. tu, que tens o meu coração. meu amor.
para mim, ir comprar material escolar para o novo ano lectivo sempre foi - a par da chegada dos livros novos - o ponto alto das minhas férias. infelizmente, os meus pais (com quem ia) nunca partilharam deste meu fascínio; para eles era, penso, só mais uma obrigação, mais uma despesa. e isso notava-se e (sendo eu uma criança algo sensível) e sempre me entristeceu.

este ano, a D. vai pela primeira vez para a escola primária e eu estou determinada a fazer tudo para que este seja um momento mágico e maravilhoso e nosso. e quando, um dia, tiver bebés, vou lembrar-me de tornar importantes para mim as coisas que lhes são importantes.