a minha irmã pequenina tem seis anos e fala tão bem. pronuncia corectamente as palavras, conjuga bem os verbos e tem um vocabulário tão impressionante para a idade. já vai escrevendo, e juntando as letras; sabe contar e sabe fazer contas pequeninas, ainda que nunca ninhuém lhe tenha ensinado. e é tão amorosa, tão simpática e educada. eu não podia estar mais orgulhosa.
eu juro-vos que quando eu preciso desesperadamente de comprar roupa há um boicote a nível nacional e de repente tudo é feio/ esquisito/ demasiado formal ou informal para o que quero. mas encontrei uma saia comprida verde-amoroso e depois de rezar para que o f. goste dela, vai ser minha. :)

sílvia, como vai essa dissertação?

já foi. já foi impressa (que amor que ficou!), já foi entregue, já me impedi de a ir abrir umas três mil e cinquenta vezes poque oh meu deus será que a passagem x está bem, e agora é só preparar a defesa, não morrer de tão nervosa, passear uns bocadinhos e voilá, depois férias.

random fact

o meu professor de física e química a, uma das pessoas mais importantes de sempre na minha formação académica (sim, e pessoal também), volta e mei chamava-me sílvia maria
mas amanhã eu e a D. combinámos tomar o pequeno-almoço juntas enquanto lemos uma história ou vemos um filme (ou a princesa sofia!), e hoje sei que ela, pelo menos, me tem um abraço gigante prometido e aquele sílvia! gritado, como se fosse a coisa mais importante do mundo dela. portanto o mundo não deixa de ser um lugar amoroso. (apesar de.)

ouve-me

eu sei que estás cansado, e nervoso, amor. (eu também estive, e estou, e estaria nessa situação. de facto acho que tu sabes que eu sinto o que tu estás a sentir pretty much all the time. ou pelo menos duas vezes por ano.) e quero ajudar, e quero apoiar-te. sei que temos (ambos) tendência a ser mais impacientes quando a vida é menos simpática ou mais exigente connosco, e isso também está bem, porque te conheço e tu conheces-me e já sabemos que é assim. mas eu também preciso de ti. talvez em coisas mais pequenas, menos essenciais (como ir à secretaria levar um exemplar e uma pilha de papéis, sabes?), mas preciso. talvez seja só naquele beijo antes de adormecermos, mas preciso. ou num desculpa sincero (que sempre tarda em chegar...) depois de algumas palavras menos simpáticas, mas preciso. e tu não me ouves dizer isso (no meio do teu trabalho, das tuas preocupações); imagino que sintas que já tens dramas suficientes para te preocupar (e não te julgo por isso), mas eu não sou um drama, sou uma pessoa com inseguranças e necessidades que não desaparecem só porque era mais conveniente para ambos que desaparecessem. e tu dizes que precisas de mim (está certo, eu compreendo e fico feliz) e eu sei que estás ocupado (muito) mas esses dois factos não podem tornar-nos numa one-way relationship, porque isso não é relação nenhuma, é só triste.

não queria terminar abruptamente e há decerto muito mais coisas que gostaria de dizer-te, mas de repente sinto-me tão cansada. apetece-me um abraço que também tarda em chegar.
tenho o direito de estar triste. tenho o direito de estar cansada. tenho o direito de desejar que, desta vez, de alguma vez, fosse diferente. tenho o direito de ter  e expressar sentimentos que são genuínos, ainda que tu (ou ninguém) encontres motivos para eles existirem, não preciso de outras pessoas para me dizerem o que devo sentir, e quando devo senti-lo. tenho direito a desejar um esforço, só um pequenino. ou um beijo, ou uma palavra (como vês, não sou muito picky). tenho o direito de querer ser ouvida e taken care of. e tenho de novo o direito de estar triste.

(estar aqui está a fazer-me mal)