a minha pequena adorada D.

sílvia, és a melhor mana que uma criança pode ter!
*pensa um bocadinho com ar sério e acrescenta*: sílvia, és a melhor mana que uma pessoa pode ter!
o meu orientador marcou uma reunião comigo e com a minha co-orientadora, depois de já ter visto os capítulos da minha dissertação. eu fiquei aqui um fim de semana inteiro a morrer de medo que ele achasse que não estava suficientemente boa, que tivesse mil correcções a propôr, que tivesse que adiar a submissão, que me fosse fazer mil perguntas detalhadas para ter a certeza que eu conheço bem a tese e os assuntos relacionados, e por aí adiante. afinal ele tinha umas quantas perguntas sobre o que eu tinha escrito e algumas alterações a propôr, e é isso. sim, sou uma pessoa muito razoável e realista.
guardo o fernando pessoa para os momentos mais tristes
(podia continuar a escrever o texto anterior, mas para quê? escrever é pensar e pensar é pior. vou distrair-me com futilidades e fingir que sou uma pessoa forte, forte o suficiente)
eu sou aquela que não consegue ter um minuto de sossego ou de concentração quando tudo não está bem. consigo fingir normalidade (brinquei com a D., mimei-a genuinamente) mas todas as minhas cadeias de pensamento são interrompidas por mágoa e dor e esta coisa cá dentro, que não é um peso, como muitas vezes se diz por aí, é antes como alguém a tentar fazer das minhas entranhas uma bola. tremo ligeiramente e sinto-me quase como me sinto antes de exames, quase nervosa, embora não nervosa, só triste. tão triste. sou aquela que olha para o visor a cada trinta segundos, já sem esperar nada. eu sou aquela que se importa
não gosto de escrever introduções.

acreditem em mim:

quase tão mau como fazer exames é vigiá-los.

são três horas completamente desperdiçadas das nossas (nós = vigilantes) vidas. não podemos ler, ou conversar, ou estar a fazer qualquer coisa de minimamente interessante porque a) nos aconselham vivamente a não o fazer e b) há sempre, sempre mas sempre (juro-vos) aquele/ aqueles alunos que decidiram tentar copiar. e, pior ainda, são péssimos a fazê-lo - ou acham que passam despercebidas as vossas olhadelas rápidas para ver se o professor está a olhar, ou o facto de mexerem as folhas todas quando nos aproximamos, ou (caramba, isto é tão óbvio!) a conversa com o vizinho do lado? não passa. e também quase não passa um exame sem que eu tenha de ameaçar alguém com a anulação da prova.

a sério, cansa. cansa porque a atitude das pessoas é péssima: são desinteressados e não estão interessados em aprender, só querem fazer a cadeira. isto mesmo em cursos onde a matemática é absolutamente essencial. isto mesmo quando tiveram professores que se esforçaram imenso por ser o mais claros possível, por ajudar os alunos. é por isso que não sinto pena nenhuma de todas as (muitas) vezes em que vejo o exame de um aluno que copiou ou tentou copiar e ele tem para aí dois valores em vinte. é assim.