às vezes penso que a melhor coisa dos seres humanos, e também a nossa perdição, é querermos sempre mais.
lições, ou a permeabilidade da memória
já descobri isto tantas vezes para me voltar a esquecer logo a seguir
(ou para não ter a coragem de recordar). quando os nossos pensamentos
são facas ou poços de escuridão há aqui uma escolha envolvida. pode ser
uma escolha muito, muito difícil ou praticamente inevitável. pode ser
uma escolha para a qual não temos força, que não queremos enfrentar. mas
é uma escolha e nós estamos a eleger o lado da dor. há sempre luz,
algures; encontrá-la é a nossa (por vezes hercúlea) tarefa.
para mim, a tarefa de escolher o próximo livro que vou ler nunca é linear. não basta dirigir-me à estante dos livros por ler, ou à estante do f. dos livros que ainda não li, ou à fnac mais próxima comprar aquele livro que está na minha wishlist há séculos; cada livro é único, e eu preciso de estar num estado de espírito adequado para ele. assim, apesar de saramago ser o amor literário da minha vida, por vezes não e um livro dele que quero começar; e apesar de em geral não ser muito dada a romances históricos, às vezes é exactamente disso que preciso naquele momento; e assim por diante. escolher um livro para ler é impulsivo, quase arbitrário e com uma boa dose de paixão envolvida, e eu gosto disso assim.
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