estou cansada. quando estamos juntas sinto tanto tédio e esta vontade enorme, enorme de me libertar. de não ter que ser esta pessoa, de não ter que fazer isto. estou cansada. queria ter a coragem de o acabar rapidamente e falta-me tudo

sinceridade.

(pequeno suspiro porque quem me dera que houvesse uma forma elegante e bonita de escrever tudo isto.)

f.

tenho medo que prefiras falar com a i. (ela é muito mais razoável e boa conselheira do que eu; tu próprio elogiaste várias vezes o seu sentido prático e tudo isso). tenho medo que te seja mais fácil abrir-lhe o coração. é egoísta? sim. devia importar-me com isto? não, devia ficar feliz por te sentires à vontade para falar com alguém. mas normalmente sinto-me tão triste. durante o nosso pequeno almoço observei-vos a resolver exercícios de probabilidade. como te divertiste e como a foste encorajando ao longo do processo, dizendo que estava a correr bem e coisas positivas e fofinhas. tenho saudades disso. tenho saudades (que tonto, que egoísta que isto é) de te ouvir dizer espontaneamente que eu sou inteligente ou que estou a ser inteligente e que acreditas em mim. (recentemente, se e quando o dizes, é porque estamos a ter a conversa do medo e da insegurança.) tenho medo de não te conhecer: de não saber o que pensas, de não estar sequer perto do teu core, de nunca saber o que te atormenta, de tudo, tudo sobre nós ser superficial. tenho tanto medo. tenho medo de estar trancada cá fora. tenho medo que nunca me deixes entrar.

tenho medo.
o meu pior defeito é o medo paralisante de falhar.
depois não sabes se o amor é assim, se há amor assim no mundo, se há um amor assim para ti, ou se nada é assim  na realidade e se estás só a criar expectativas irrazoáveis que nascem de todo o amor que lês e depois não sabes separar ficção do mundo real e queres perfeição e não a tens, e nunca a vais ter, e esta ideia dói-te por dentro como se queimasse e tu pensas eu não estou feliz mas a voz baixinha no fundo da tua alma morde-te e pergunta e estarias, ainda que pudesses ter tudo o que queres, tudo o que o teu coração deseja?

não lhe sabes responder. obrigas-te a não pensar. até quando?

a reler...

... O Canto de Aquiles. o amor.

não sei como é que insisto em pensar em mim como uma pessoa profundíssima que não tem tempo a perder com romances de amor nao saramaguianos que sejam essencialmente isso, um romance de amor. não só isto é tonto e preconceituoso como não podia estar mais longe da verdade. este livro é belo.

medos

não ser suficientemente boa. para matemática, para a vida. que as pessoas se apercebam disso. não ser suficientemente interessante. não ser suficientemente qualquer coisa que nem sei bem o que é para o f. . não conseguir.

tenho saudades de o ouvir dizer palavras de encorajamento. não sei o que há de errado comigo.

Cinco Coisas de que Não Precisas

 ou, A Coisa Mais Pertinente de Sempre

Há coisas que achas que precisas para viver.
Coisas que meteste na cabeça, mas que acabam por te pesar muito. Para teu grande alívio, vais descobrir que há 5 dessas coisas que não precisas mais:

Não precisas de estar tão seguro.
Não precisas de ter todas as respostas, fazer tudo certo ou ter sempre razão.
É espantoso, mas se falhares, o mundo não acaba. Uma critica não vai dizer toda a verdade sobre ti. Podes-te rir de ti mesmo e podes aprender coisas que não sabias.

Não precisas de te preocupar tanto.
Não precisas de carregar o mundo nos teus ombros. Não precisas de pensar em tudo o que pode correr mal.
O que tiver que acontecer acontece, e o facto de te preocupares não muda rigorosamente nada. Só te dá cabelos brancos. Quando chegar alguma dificuldade, aí arregaças as mangas. Entretanto, podes desfrutar cada dia com os belos cabelos que tens.

Não precisas de ser o melhor.
Não precisas de provar nada a ninguém. Não precisas de ser especial.
Não depende de ti seres o melhor da sala. De ti depende apenas dares o teu melhor. Deixa-te de ambições desmedidas e aproveita ao máximo os talentos fantásticos que já tens.

Não precisas de culpar o teu passado.
Não precisas de te lamentar pela tua infância infeliz, relações falhadas ou como ninguém te percebeu.
Surpresa: O passado já passou. O que fazes hoje é uma escolha tua, não tens que viver como vivias.
O teu passado foi importante e tornou-te quem és hoje. Podes agradecer as coisas boas e desfrutar o presente.

Não precisas de mais nada para seres feliz.
Não precisas de viver sem problemas. Não precisas que te corra tudo bem.
Nada nem ninguém está responsável por te fazer feliz. Isso é trabalho para ti.
A felicidade não é uma utopia, é uma coisa concreta para a tua vida.
Podes começar já hoje a viver mais feliz. É só começar.