eu nao sou uma pessoa muito racional e definitivamente nao sou uma pessoa razoável. é muito difícil para mim ponderar probabilidades na vida real, excluir possibilidades cuja probabilidade de acontecer é ínfima, racionalizar a minha vida e aquilo em que acredito e aquilo que sou. mas tento. tento, e tenho sempre o f., que é a pessoa mais racional e razoável do mundo, e que me aponta tantas vezes o caminho, e de quem posso sempre esperar uma argumentação racional e cheia de senso comum e que faz sentido.
o meu erro, claro, é que estou tantas vezes com o f., ele é de tantas formas o meu mundo, que começo, inconscientemente, a esperar o mesmo tipo de reacções a atitudes das outras pessoas. que sejam racionais, que estejam preparadas para defender uma convicção que tenham, que nao recorram a argumentos que não o são, que não cometam falácias lógicas, que analisem as situações com calma e frieza e, em vez de assumirem alegremente tudo o que o medo lhes sussurrar ao ouvido, ou em vez de ficarem magoadas com coisas que não fazem sequer sentido, pensem. mas as pessoas tantas, tantas vezes não têm este tipo de reacções. e então eu sou deixada a pensar, numa voz muito baixinha na minha cabeça, para eu quase não a conseguir ouvir, eu até gosto de ti mas agora queria tanto que te fosses embora e me deixasses em paz