a questão é: eu raramente passo uma semana sem pensar em problemas de Matemática. mas muitas vezes isto acontece porque a) tenho mesmo que pensar neles porque são para avaliação ou b) tenho mesmo que pensar neles porque vou dar uma aula (e neste caso, ainda por cima, são fáceis). resultado: resolver exercicios vem associado a dever e! a prazos. ora, eu sou muito má a lidar com prazos, porque passo quase instantaneamente do "ainda tenho tanto tempo, vou só ali ler mais um bocadinho!" para o "MEU DEUS NÃO TENHO TEMPO NENHUM NÃO VOU CONSEGUIR FAZER ISTO". e depois faço, mais ou menos apressadamente. e portanto tenho menos tempo (ou tempo nenhum) para reflectir, e a minha cabeça torna-se um tornado de informação desorganizada. e eu quero ter tempo para pegar em todos os pedacinhos de informação e colocá-los no sítio certo e ver como todos encaixam - afinal, essa é talvez a coisa masi bonita em Matemática. por isso, vou pensar em problemas. mesmo que sejam simples ou pareçam irrelevantes. problemas bonitos. oh, até a ideia me faz feliz.
das resoluções.
a minha de hoje, e provavelmente uma das mais importantes de sempre: nunca mais vou votlar a passar uma semana (ou mais) sem pensar, por vontade própria, em exercícios de Matemática.
(ela é linda e eu quero pensar nela. porque é que me esqueço tanto do quanto gosto disto?)
na minha mesa de cabeceira metafórica:
A Series of Unfortunate Events, Lemony Snicket. ainda estou a (re)ler o primeiro - The Bad Beginning - e gosto tanto de Lemony Snicket e do humor maravilhoso dele. adorar o livro que estou a ler faz sempre de mim uma pessoa mais feliz.
nostalgia
o passado, o passado. o mês de outubro. as primeiras chuvas (como é que eu, que detesto chuva, fico aqui sentada a suspirar pelas memórias de dias chuvosos de outros anos); as maravilhosas pilhas de folhas no chão (e é tão bom pisá-las antes de chover). o frio e o vento cortantes; o forno quentinho na cozinha dos meus pais, os pinhões, as nozes, os figos secos, o chá quentinho, a família em conversa amena reunida em redor da televisão a que só eu presto atenção, eu, enrolada nos meus vinte cachecóis (detesto ter frio no pescoço) com os meus pés sempre frios. a vida era mais simples, menos dolorosa, sem o sufoco constante do oh eu devia estar a trabalhar!, com menos exigências, menos medo, talvez.
este ano o outubro é lisboa, lisboa e o meu desligamento emocional dos sítios e de (algumas) pessoas, lisboa e a sílvia a trabalhar, lisboa e a sílvia versão agora parece que sou uma adulta ou pelo menos tenho que agir completamente como se fosse na maior parte do tempo. oh, a nostalgia, quando passam, das coisas de que julgamos nem gostar enquanto estão a acontecer.
*
com as (gigantes) excepções do f. e - estranhamente - da c., ainda não encontrei ninguém que me fizesse amar as músicas que ama.
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