o passado, o passado. o mês de outubro. as primeiras chuvas (como é que eu, que detesto chuva, fico aqui sentada a suspirar pelas memórias de dias chuvosos de outros anos); as maravilhosas pilhas de folhas no chão (e é tão bom pisá-las antes de chover). o frio e o vento cortantes; o forno quentinho na cozinha dos meus pais, os pinhões, as nozes, os figos secos, o chá quentinho, a família em conversa amena reunida em redor da televisão a que só eu presto atenção, eu, enrolada nos meus vinte cachecóis (detesto ter frio no pescoço) com os meus pés sempre frios. a vida era mais simples, menos dolorosa, sem o sufoco constante do oh eu devia estar a trabalhar!, com menos exigências, menos medo, talvez.
este ano o outubro é lisboa, lisboa e o meu desligamento emocional dos sítios e de (algumas) pessoas, lisboa e a sílvia a trabalhar, lisboa e a sílvia versão agora parece que sou uma adulta ou pelo menos tenho que agir completamente como se fosse na maior parte do tempo. oh, a nostalgia, quando passam, das coisas de que julgamos nem gostar enquanto estão a acontecer.