tenho vontade de ligar ao m. e perguntar-lhe se ele acha que toda aquela dor, todo aquele amor, eram (foram) reais
memórias: a sílvia no décimo primeiro ano, junto à sala dos professores quase constantemente. a nossa professora de biologia e geologia. o m. e a c. e a j. e todas as coisas boas e todas as promessas e também todo o sofrimento porque éramos tão novos e precisávamos disso, sei lá. a música: a the kill, dos 30 seconds to mars; incubus; linkin park; a "blue light"; system of a down, my chemical romance; tantas outras. o grupinho. os lanches de bolo de chocolate no horizonte. os "amo-te". a l., a i., a a. e a a., a r. o nosso maravilhoso professor de física e química. os dias magníficos de sol. nessa altura eu já adorava amarelo. quanta inocência. quanta dor. quanta felicidade.
no dia em que recebemos os primeiros exercícios corrigidos de álgebra universal eu quase me deixei levar pelo meu eu antigo. (digo antigo não porque o seja, mas porque quero que venha a ser.) havia um peso tão grande dentro de mim e eu queria ser cobarde e evitar a vergonha de os receber (à frente de outras pessoas - todas elas melhores que eu) e enrolar-me em mim mesma sob os cobertores da minha cama e ficar ali a sentir-me vazia e inadequada e incompetente e estúpida. quase. mas porque isto era demasiado até para mim, até para o meu eu antigo, cerrei os dentes e arrastei-me até lá. nervosa e preocupada e envergonhada mas cerrei os dentes e fui; não a pensar que ia tornar as próximas vezes mais fáceis, mas a pensar que tinha que começar por algum lado a ser determinada. e, espantosamente, sobrevivi. e, espantosamente, provavelmente tornei as próximas vezes mais fáceis.

não é grande coisa da qual me deva orgulhar, eu sei. mas orgulho. foi um passo pequenino mas foi um passo. é um esforço constante mas um que quero continuar a fazer. digo isto muito poucas vezes a mim própria mas sílvia, és capaz de fazer isto
eu gostava de ter um diário. um caderno ou bloco bonito em que pudesse escrever tudo o que escrevo aqui e guardá-lo só para mim. mas sinto-me sempre tão atraída pela possibilidade de poder apagar entradas, corrigir entradas, modificar frases. a possibilidade de melhorar aquilo de que não gosto. não importa só dizer o que sinto, importa fazê-lo de forma elegante; e os meus rabiscos semi aleatórios e letra apressada naquele que seria o meu diário seriam só desordenados e imperfeitos; não teriam sequer a elegância da falta de elegância do desespero, mas apenas a falta de elegância da pressa (tenho que escrever isto antes que o perca, antes que deixe de fazer sentido) e dos intermináveis solavancos dos autocarros (nos quais acontecem tantos dos meus momentos de introspecção).

a qualquer outra pessoa que viesse ter comigo com o mesmo problema eu responderia qualquer coisa como oh, mas arranja um bloquinho desses! e não tentes ser perfeito, escreve tudo o que te vier à alma, sê espontâneo, risca o que tiveres que riscar, escreve tão desordenadamente quanto tiveres que escrever; a vida é assim e isso é belo. mas não o digo a mim mesma, a esta estranha com ânsias inalcansáveis de perfeição, a esta estranha para quem nunca algo que tenha feito está bem, a esta estranha que sou eu. nunca a mim
the unexplicable urge to keep saying i am sorry i am sorry i am so sorry i really didn't mean it i don't want to push you away i can't push you away i just want you here stay here please

knowing that it wouldn't make a difference, knowing it would only make things worse

i just want you to care, please. to care just a little bit

c.

não te sei manter à distância mas sempre que me tento aproximar tu apunhalas-me distraidamente com a tua indiferença, portanto não me ofereças proximidade, pára, não me ofereças nada que não estejas (como não estás) disposta a dar. pára.

por favor, não voltes.
fingirmos que somos uma boa pessoa é melhor ou pior que aparentarmos ser a má pessoa que somos realmente, sendo portanto, pelo menos, honestos em relação a isso?