(sílvia a ver anúncios de casas que se alugam.)

sílvia: *morre de excitação* oh meu deus oh meu deus oh meu deus! este é lindo! é perfeito, olha, tanta luz! e não é horrivelmente caro!
sílvia: ah. é no porto/ coimbra/ a sério basta sair da zona da grande lisboa (coisa que eu não quereria de todo, mesmo que pudesse) para o preço dos apartamentos baixar inacreditavelmente. f-word forever.
na minha secretária, neste momento, estão:

- os apontamentos de álgebra comutativa, a qual preciso de rever porque vou fazer melhoria;
- o livro de álgebra linear super fofinho do queiró;
- outro livro de álgebra linear que tem muitos exercícios e such things, porque, bem, parece que já daqui a duas semanas vou ensinar álgebra linear a um grupo de pessoas que não gosta muito de matemática;
- o proofs and types do girard;
- o artigo atomic polymorphism do fernando ferreira e da logic lady;
- os apontamentos de teoria da representação de grupos e combinatória do f.;
- folhas brancas e o meu estojo.

 e eu estou inacreditavelmente feliz. e o facto de estar feliz deixa-me ainda mais feliz porque apesar de todos os meus medos, apesar de todas as minhas dúvidas e inseguranças, é isto que eu amo e é isto que eu quero. matemática, gosto tanto de ti.
(também deve ter sido A Semana Em Que Dormi Tão Pouco Que Mal Dá Para Acreditar, mas valeu mil vezes a pena e, bem, talvez esteja a ficar crescida.)

o f.

é o meu melhor amigo. já não me sinto culpada por dizer isto (embora ainda o diga com uma espécie de tom desafiador, como quem espera uma pequena guerra). e esta semana foi a melhor semana do mundo.
estou a ler As Obras Primas de T. S. Spivet. nunca tinha ouvido falar; encontrei-o por acaso na feira do livro, achei curioso, comprei-o e agora chegou a sua vez. problema: embora seja um bom livro, não é, definitivamente não é, o livro que queria estar a ler agora, o livro que queria ler agora. mas acho que vou tentar acabá-lo rapidamente e depois morrer de felicidade com Saramagos novos. (uma parte de mim pergunta-se se isto não é muito tonto da minha parte - afinal, se o livro doesn't feel right, podia simplesmente deixá-lo por agora, não era?, mas eu não gosto mesmo nada de coisas inacabadas.)

preciso

de um sítio só meu. um sítio que saiba a casa, à minha casa. a "minha casa" em lisboa consiste num quartinho (comfortável, mas pequeno pequeno pequeno) em que mal tenho espaço para me mexer e - este é o ponto importante - que me sabe sempre a temporário. it doesn't feel like home, ever. e a casa dos meus pais é, bem, a casa dos meus pais. quero uma casa minha, em que não tenha que preocupar-me com falar sozinha quando estudo álgebra. quero que este sentimento de temporário acabe; quero decorar as minhas paredes sabendo que são minhas (bem, tão minhas quanto algo pode ser); quero comprar conjuntos fofinhos de pratos e quero ter que decorar uma sala (ainda que demore séculos a fazer isto, a achar as peças mais bonitas). quero fazer as coisas à minha maneira. escolher tapetes (e mais tarde arrepender-me das cores que escolhi) e tomar decisões de arrumação e talvez fazer puzzles!, porque teria um sítio (espaçoso, hopefully) para as pôr e quero muito um espaço meu, meu, meu. hoje, por algum motivo, isso parece (quase) essencial para ser feliz.

(o que é impossível por agora mas não é impossível dentro de um ano e pouqinho. luta, sílvia. trabalha. por favor. por ti.)

coisas em quem não posso transformar-me

1. a minha mãe. a minha mãe está na classe das pessoas que tomam uma decisão (e são efectivamente capazes de se irritarem se lhes dizemos que talvez devessem/ pudessem fazer outra coisa) e depois, algum tempo mais tarde, podemos ouvi-las a lamentar-se por as coisas terem sido assim ("está lá sozinha... ai, se eu estivesse lá", etc.). estava nas suas mãos. estava nas suas mãos.