conjecturas

acho que escolho branco como cor de fundo dos meus blogs em busca da serenidade que nunca tenho em mim.
e quero conhecer-me. neste momento, acho que não há nada que queira mais.
também dava tudo, tudo para poder olhar para mim e para a minha vida e ver tudo com clareza, em vez de esbarrar sempre, sempre com este nevoeiro estranho que distorce tudo o que vejo, tudo o que penso, que cria miragens e me mostra coisas que não estão lá e oculta o importante. não sei como conhecer-me se não consigo olhar para o meu passado, para mim.

ciúme

não faz sentido nenhum e por isso sempre que tento começar a falar sobre isto - às vezes basta até pensar sobre isto - fico profundamente envergonhada e arranjo atalhos para acabar a conversa o mais depressa possível. a verdade, querido f., é que de alguma forma estranha, não-romântica, não-amorosa, insegura e vagamente (ou mais que vagamente) possessiva, sinto-me muitas vezes ciumenta em relação a ti, quando passas tempo (deliberadamente, exclusivamente) com outra pessoa.

nalguns casos a explicação é óbvia, ainda que pouco racional: hoje, por exemplo, estás com o g., o teu melhor amigo no passado e, nas tuas palavras, alguém a quem podes falar de qualquer coisa, apesar de recentemente estarem menos próximos. lembro-me de um dia te ter perguntado se vocês, tu e ele, eram mais que tu e eu - disseste-me que não, definitivamente não (e acrescentaste - nem a marta), o que é uma bênção, uma coisa maravilhosa - mas também uma coisa que tenho mais dificuldade em recordar do que, por exemplo, o facto de lhe teres escrito uma carta. penso no g. e apesar de não o conhecer de todo tenho medo de não ser suficiente, um medo que já discutimos mas que continua aqui. tipicamente. e então neste momento tenho ciúmes dele, de estar a sós contigo, de poder ouvir-te falar da tua vida recente, imagino, de se rirem de momentos passados. não sei. lá está, ciúme mesclado desta insegurança que é qualquer coisa como eu sou uma pessoa tão pouco interessante como é que passas tempo comigo.

noutros nem tanto. tu e o c. namoram, e tu ama-lo. nós claramente não namoramos e, se é amor (e é para mim; mas não quero pensar nisso, escrever sobre isso, porque não quero que se torne naquele amor doloroso por falta de reciprocidade. portanto, por agora, não penso.), não é de forma alguma amor romântico. mas ainda assim, quando dizes que vais estar com o c., quando dizes que ele vem cá e portanto vais passar o dia com ele, a noite com ele, o que seja, o meu primeiro sentimento é esta coisa esquisita de te querer para mim, de querer passar tempo contigo (incluindo esse tempo), de coisas que não fazem sentido nenhum.

eu não estou apaixonada por ti. (sei isto porque quando me comecei a aperceber de que isto se parecia perigosamente com ciúme tive que fazer essa pergunta a mim própria e responder-lhe cuidadosamente. não estou.) mas, aparentemente, gosto tanto de passar tempo contigo que quando não posso porque estás com outras pessoas fico incomodada (e insegura, mas enfim). e isto faz muito pouco sentido, e eu não sei porque é que acontece - não sou assim com mais ninguém. estou a escrever sobre isto na esperança (provavelmente vã...) de que, se o analisar racionalmente e perceber que não faz sentido, desapareça. talvez o problema seja eu sentir sempre (e isto é um problema meu, eu sei) que não sou... suficientemente boa para ficar. que se aparecer alguém melhor... bem. e portanto tenho sempre medo destes momentos. em que possa aparecer alguém melhor.

se eu pudesse mudar alguma coisa, qualquer coisa, em mim, eliminava esta terrível, omnipresente insegurança.
"pensa em ti. atreve-te a encarar quem tu és. e faz o que puderes fazer, tudo o que puderes fazer, para ser quem quiseres ser"

tenho saudades de Once Upon a Time

normally, i prefer to do other more enjoyable activities with a woman on her back

do Hook, a pessoa mais atraente de sempre.
we all make rules for ourselves. it's these rules that help define who we are. so when we break those rules, we risk losing ourselves and becoming something unknown.

do dexter (yet again). acho que há uma certa-grande-beleza aqui, em nos perdermos, em nos atrevermos a desafiar as regras que criámos (tantas vezes inconscientemente...), que alguem criou. quero coragem para tentar isto.