(o último post fez-me pensar em quão emocionalmente fria eu sou. mas não com toda a gente. nunca. minha L., minha D., meu F.)
sou uma pessoa tão má
long story short: uma pessoa que em tempos me foi próxima tinha cancro. entretanto aconteceu o que me acontece tantas vezes - acontece a vida - e afastámo-nos um pouco. ou eu afastei-me? não saberia dizer. penso que foi mútuo mas penso que uma parte não desprezável foi minha responsabilidade e penso também que ela me culpa. entretanto nunca mais ouvi nada dela.
uma parte de mim, uma pequenina, sussurrante parte de mim, dizia-me de vez em quando: era mais fácil se ela entretanto tivesse partido... em que "tivesse partido" é uma metáfora muito pouco elegante para a morte, uma tentativa de disfarçar a crueza e crueldade da minha frase anterior. não vou tão longe quanto desejar a sua morte, não, definitivamente não. mas aquele pensamento - se tivesse acontecido seria mais fácil - existe e eu dificilmente conseguiria arranjar melhor prova do meu egoísmo
há um certo tipo de liberdade, difícil de definir, que só temos quando estamos sozinhos. não parece muito importante até não a termos mais: a liberdade de estarmos onde quisermos, quando quisermos, sem informar ninguém, sem que ninguém tenha que saber onde estás ou o que estás a fazer, sem detalhes pormenorizados, sem teres que explicar (ou mesmo tentar perceber) porque é que às onze da manhã de uma quarta feira precisaste de ir para aquele sítio em particular e estar sozinha contigo mesma, sem perguntas, sem justificações.
isto parece uma coisa muito simples mas tenho saudades.
podemos sempre argumentar que estar numa relação não significa que percamos esta liberdade. o que talvez seja verdade; mas nas minhas circunstâncias era (é) egoísta não o fazer e acho que não justifica a mágoa que causa. (talvez. não sei.) e então aqui estou. (pequeno suspiro.)
...
e aqui estou eu a implorar outra vez, não é. discutir contigo é assim; é estar terrivelmente zangada e querer gritar a plenos pulmões, só para, três segundos depois, chorar desalmadamente e ser capaz de tudo por um abraço, uma palavra educada (se não puder ser simpática...), um sinal de que te preocupas, para depois voltar ao raiva, e sempre assim, neste ciclo estúpido e mau e doloroso
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