Quero cobrir-te de mil beijos, enlaçar-te de mil beijos, amortalhar-te de mil beijos.
E depois deixar-te para dormir e ficar com aquele sabor a sal que deves ter nessa pele tão trigueira.
 
daqui, porque é bonito

querido f.

tu sabes como eu sou. não sei se me sinto melhor ou pior depois da nossa conversa. é verdade que já não me parece tão dramático, mas agora só me apetece chorar. eu sei que a gentileza não é o teu forte mas tu viste como eu estava...
na minha casa de lisboa tenho uma pequena varanda, responsável, em grande medida, pela minha sanidade.
irrita-me, irrita-me irrita-me nunca conseguir ficar zangada contigo, c. quando penso que quero estar longe, definitivamente, encontro-te e quando te encontro tu pareces sempre tão doce e coisas e eu dou comigo a fingir que está tudo bem - não, efectivamente a ficar bem, apesar de tudo - e depois tu vais embora e eu não percebo como é que contigo, e só contigo, esquço tantas coisas que nunca pensei vir a esquecer, ao fim de meia dúzia de palavras não relacionadas...
o momento maravilhoso em que há a possibilidade de participar num projecto de investigação na minha querida lógica e eu estou mais entusiasmada que nervosa. que coisa incrível!
sílvia desde o momento em que acorda até às oito da noite: tenho tanto sono só quero a minha cama vou dormir tanto
sílvia a partir daqui: meu deus podia fazer tanta coisa vou estudar matemática e ler livros e ler filosofia e sonhar acordada e tudo
sílvia no dia seguinte: meu deus estou tão cansada porque é que não me deitei cedo ontem
*repeat endlessly*

Saramago

ainda hoje me é difícil acreditar que morreste e esta ideia tende a supreender-me nos momentos mais aleatórios e fico à beira das lágrimas e a doer até ao fundo da alma, como não me acontece com mais ninguém. dou comigo a desejar nem que fosse uma breve troca de palavras contigo. gostava de dizer-te como o amor nos teus livros é a mais bela coisa no mundo, como me deixa cheia de luz por dentro. foste-te, mas estás tão vivo nos nossos corações

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