o amor é não dizeres tudo o que pensas ou sentes, para protegeres a outra pessoa? ou é dizê-lo ainda que doa porque nos leva a partilhar tudo?
não sei o que se passa de errado comigo mas deve haver alguma coisa, porque vou ter um exame amanhã e a única coisa que consigo fazer é ficar muito quieta em frente aos apontamentos a chorar (de quê? preocupação, incerteza, ansiedade?) - literalmente a chorar, como acho que nunca me aconteceu antes. meu deus
ainda não aprendi o que fazer com o excesso de sentimentos e sensações.
momento de nostalgia: ouvir o david fonseca e a kiss me, oh kiss me, e voltar ao passado. naquele tempo tudo era mais simples, mais belo, mais brilhante e as possibilidades eram infinitas. e eu era tão, tão feliz.

o que é que me aconteceu?
são nove horas e quarenta e um minutos de uma calma, se não bela, manhã de terça feira. eu tenho vinte e um anos, e as possibilidades são infinitas. e  estou aqui sentada melancolicamente, com uma chávena de café com leite, nostálgica e melancólica com a efemeridade desta coisa a que chamamos vida, com a proximidade do anjo negro da morte, e não sei porquê...
sou incapaz de me sentar numa superfície suja ou manchada ou riscada, e em praticamente todas as sanitas do mundo. e em ralos da banheira. e não gosto muito de banheiras, em geral. detesto tocar em maçanetas nas portas da casa de banho, no autoclismo, até no suporte para rolos de papel e nas torneiras do lavatório. pergunto-me se devia começar a preocupar-me.
f., gostava muito de te mandar uma mensagem a perguntar se te vejo amanhã. mas tenho medo da resposta.

(esta tarde, depois de teres dito que não podias vir comigo, fingi uma conversa telefónica - com a L., suponho, porque a fingi em inglês; de um modo qualquer que não compreendo, pareceu melhor assim - e tentei perceber o que é me incomodava tanto.

eu quero ser importante para ti. não quero sentir que não farias isto ou aquilo por mim, mas poderias fazê-lo por outras pessoas. não quero que estejamos próximos por... conveniência? hábito? quero alguma preocupação e talvez algum carinho espontâneo, sim; embora por alguma razão me envergonhe dizer isto. quero-te aqui. ao meu amigo, não ao zombie que me tem no fim da lista de prioridades, if at all. por favor.)