felicidade é tu chegares à cama, estenderes o meu braço e te aninhares em mim, o teu pescoço tão delicado (cheira tão bem, minha bebé) apoiado de forma deconfortável no meu braço. agarras a minha mão e envolves o teu corpo com o meu outro braço, mas não largas a minha mão quando já estou na posição certa. os teus dedinhos perfeitos. depois encostas-te mais a mim e adormeces quase imediatamente. e eu fico ali, com o coração a rebentar de felicidade, sem o menor desejo de encontrar uma posição mais confortável porque não quero perturbar-te, quero tudo perfeito para ti, meu amor, meu grande amor pequenino. pela primeira vez em muito muito tempo, adormeço quase instantaneamente, sem tempo para medo ou pensamentos maus.

amo-te, pequenina, minha pequenina D.

C.

eu quero falar contigo. só não sei o que dizer...
acho que não é suposto ser assim. acho que não é suposto eu ser assim.

quando somos crianças e vemos um filme ou lemos um livro, escolhemos a nossa personagem favorita (pelo menos eu escolhia sempre a minha personagem favorita - invariavelmente bela e inteligente) e fingimos para nós próprios, ou talvez com alguns amigos, que somos essa personagem. imaginamos que temos as suas vidas, imitamos os seus actos mais fantásticos, fingimos e sonhamos e desejamos ser assim.

e eventualmente, com a idade, isto muda. deixamos de tentar ser este ou aquele. podemos querer mudar - queremos mudar, naturalmente - mas acho que a maior parte das pessoas aceita o seu "eu", embraces it, e tenta gostar dele. mas... fica em paz com a essência da sua personalidade (seja lá o que isso for). aquilo que procuramos mudar a partir de certa altura é pontual, não é?, sermos menos egoístas, ou mais livres, ou menos inseguros, ou seja o que for. ainda que ao longo da nossa vida mudemos tanto que somos totalmente diferentes da pessoa que começámos por ter consicência de ser, não foi porque um dia acordámos e desejámos mudar completamente; foi uma série de pequenas mudanças pontuais, graduais.

mas eu não. eu não. eu ainda desejo ser a minha personagem favorita. talvez tenha crescido e a minha personagem favorita não seja já a menina mais bela. talvez seja a mais feliz. a que tem mais paz de espírito. a que sabe apreciar melhor o mundo, na sua complexidade, mas também as coisas pequeninas. a mais gentil, a de coração mais gentil. não sei... isso varia. mas dou comigo a contemplá-la e a desejar do fundo do coração ser assim. nem sequer quero mudar até me tornar semelhante a ela (na maior parte das vezes, é impossível), desejo apenas viver outra vida como outra pessoa. viver aquela vida, ser aquela pessoa.

(acho que o que os meus personagens favoritos têm em comum é a sua certeza, a sua segurança. nenhum deles parece questionar a pessoa que é, a vida que tem. parecem aceitá-la de braços abertos e parecem dispostos a tirar o melhor que conseguirem dela, sem se sentirem permanentemente atormentados pelos "e ses", pelo que poderia ser, como eu sou)

talvez as outras pessoa também se sintam assim e sejam só melhores a lidar com isso. talvez eu esteja só a vê-las de forma errada, a tirar a pior conclusão possível, como tantas vezes? eu não quero estar perdida no mundo. pior, eu não quero estar perdida em mim mesma, trancada dentro de mim mesma, impedida de sair pela pressão de tudo o que podia ser, tudo o que poderia ter sido...
to be permanently craving not to be me, to be different, completely different, almost unrecognizable. to always feel that everything would be in its right place, if only i was different. (not any kind of different though - what i crave to be may change sometimes but it's always very specific, always so clear.) that is my curse.
eu quero ser uma amiga para ti. quero poder fazer-te feliz e aliviar a tua dor. quero poder ajudar. quero poder dar conselhos úteis. quero que aprecies passar tempo comigo. não quero ser um hábito ou um peso ou inadequada ou tonta.

talvez isto seja injusto para ti, porque estou a ver o mundo através da minha definição de amizade, que pode naturalmente ser (e é) diferente da tua. mas eu gostava de sentir que faço um bocadinho pela tua felicidade. percebes?
i just found the most adorable perfect thing.

“Rumple?” Belle asked when he poured her the second cup of tea.
“Hm?”
“What’s rap?”
Sighing, Rum put the tea pot down. “Dark magic that tricks people into thinking a bunch of noices and words are music.”
Belle frowned. “I thought this world doesn’t have magic.”
He tried hard to keep a straight face, but the corners of his mouth betrayed him and curled into a smirk.
Belle hit his arm. “You’re lying to me!”
He laughed. “You’re just so adorable.”
“You know, it’s really mean to take advantage of my innocence.”
He wriggled his eyebrows. “Come back to bed and I show you what that really means.
talvez tu aches que estou só perdida em pseudo problemas ou a tentar dificultar-te a vida, quando tudo o que eu quero é que estejas bem. sou assim tão má amiga?

estou cansada.