F.,

gosto muito de ti! :)

tu és uma parte tão importante da - nas tuas palavras - família do meu coração.
no início eu não exigia coisas de ti. nem carinho, nem presença, nem preocupação, e aceitava com tanta felicidade tudo o que me desses. agora isso já não é assim e eu tenho saudades. isto deixa-me tão triste
em minha defesa; isto não me parecia óbvio na altura. mas talvez tenha ficado irritada porque não quero não quero não quero que tenhas razão e era aí que a tua tese ia chegar e talvez estivesse irritada porque sou tonta; se tu fosses outra pessoa qualquer, eu teria atirado uma sucessão de argumentos em tom rápido e decidido e a outra pessoa teria ficado convencida, ou pelo menos largado o assunto. (espero que isto se diga em português.) mas tu és tu, pessoa mais querida, e vês além de tudo isto, e não me deixas distrair-te do ponto essencial, e eu sinto-me tão exposta e bem, ainda a não querer que tenhas razão, que faço coisas.

estou a escrever isto para me lembrar deste momento de perfeita clareza.

não quero que tenhas razão, porque é uma coisa horrível. e eu não a sei mudar. e não sei se se muda...
(sim; salvar soa um bocadinho melodramático. mas sinto-o assim.)
eu salvava-te, se pudesse. se me deixasses.
sim, é como se tivesses desistido de mim. mas quem é que pode julgar-te? e, especialmente; como é que eu posso julgar-te? eu, que desisto de mim todos os dias