eu sou estranha. é-me muito difícil pensar com clareza sobre mim... a maior parte das coisas que conheço sobre mim não são fruto de uma longa meditação - surgem-me porque alguém (alguém...) faz as perguntas certas ou então porque de repente e completamente fora de contexto aparece um pensamento luminoso e eu penso meu deus, é isto, eu sou assim. em particular, é-me muito difícil perceber as reacções que tenho quando estou magoada ou zangada ou triste.

parte de mim quer ser fria contigo, quer ir buscar tudo o que possa utilizar como arma e ferir-te. bem, isto, contigo, F., é difícil. (resulta muito bem com o resto da humanidade em geral, a julgar pelas minhas estatísticas). é difícil porque 1) eu não sei se te consigo magoar, 2) ainda que as minhas palavras tivessem o potencial para te magoar, acho que ias ver através de mim, perceber que não sinto nada daquilo e que estou só a tentar ser má, e ignorá-las. (gostava muito de saber se tenho razão acerca disto). ah, e 3) porque tu te afastas ainda mais até estes sentimentos maus passarem.

a outra parte de mim quer chorar (chorar! eu!) e quer que percebas que detesto isto tudo e quer que peças desculpa com o coração e não só porque achas que devias pedir e quer que as coisas não sejam mais estranhas entre nós e quer ver-te e quer ser abraçada por ti. esta parte de mim é terrivelmente submissa e assustadoramente frágil, e quer ajudar-te, também, e quer ouvir-te dizer que está tudo bem (com sinceridade) e quer abraçar-te em vez de te atirar pedras.

também quer, sobretudo, ouvir-te dizer que talvez gostes de mim, talvez precises de mim. (mas acho que preferia morrer a admitir isto)

então, quando eu reparo que a minha parte fria e má está a afastar-te mais ainda (se possível...), fico de repente muito calma por dentro e a raiva vai embora e a minha parte frágil substitui-a. mas neste ponto tu já estás talvez demasiado zangado ou entediado comigo para te importares ou para me ouvires com atenção, e ao fim de algum tempo a mágoa volta em força e eu sinto-me má outra vez. e isto é um ciclo. o problema é que eu nunca tenho a certeza absoluta de querer interrompê-lo. acho que há uma parte de mim que gosta demasiado de ter razões para estar magoada e se agarra à tristeza... "an emotional cutter", como li há tempos.

desculpa


um grito

quero ter 19 a Teoria de Galois!

(de facto quero ter 20, mas posso não ter tempo ou inspiração. portanto 19. até estou entusiasmada. e se não acontecer... bem, está na altura de aprender a lidar melhor com estas coisas.)
o teclado da L. tem um símbolo muito querido, ¬ . és tão elegante. a escrita Matemática é tão elegante. a Matemática é tão elegante. é muito bom, quando reparo nisto.
(se tu visses o post da função seno, e se não estivesses longe, talvez observasses que estou outra vez a ser expressiva e que então não se sabe se é a coisa aleatória número 625 sob a forma exclamativa, ou a coisa aleatória número factorial de 625 - embora seja mais provável ser a última, considerando a montanha de coisas aleatórias que digo...

625 é a quarta potência de cinco e também é um quadrado perfeito e surgiu-me espontaneamente. gosto disto.)
acho que preciso de gostar um bocadinho mais de mim.

coisas aletórias #625!

se a minha vida fosse uma função era provavelmente sen(1/x) quando x se aproxima de zero. mas até gosto um bocadinho disso. não à monotonia!
gostava de aprender violoncelo, e um bocadinho de outras línguas. especialmente latim. ser fluente em esperanto e ser magnífica a inglês. ter a minha doce Matemática como hobby. tirar fotografias melhores. aprender um bocadinho de piano... aprender muito piano (já que estamos a sonhar!). perceber um bocadinho o que é a teoria das cordas. perceber um bocadinho lógica. ser matemática. gostava de ser menos pessimista e mais persistente. gostava sobretudo de ter a coragem para transformar isto uma lista de "things to do", em vez de a deixar como uma lista de sonhos.

acho que me vou dedicar a fazer isso.