Lógica!

com "l" grande porque és suficientemente importante (mais até) para merecer essa honra. tenho um compromisso contigo (uma coisa íntima!) e não podia estar mais feliz. o meu objectivo para os próximos meses: parar de me preocupar com o eterno dilema do consigo/ não consigo, e deixar-me deslumbrar pela tua beleza (porque nós não nos conhecemos bem, ainda, mas eu sei que tu és bela). sim, podes chamar-lhe amor.

novembro

dias frios mas com muito sol, aulas bonitas, a cor acobreada das folhas nas árvores e o som que fazem quando as pisamos no chão; e todas as promessas que pairam no ar. oh, novembro, gosto de ti.

dor

sempre que tento explicar como a dor pode ser bela tropeço no meu próprio embaraço, transformo-me num tomate andante e acabo a tartamudear meias palavras até mudar (nunca de modo subtil, embora não por falta de vontade) de assunto desgraciosamente. não me perguntem porquê; a dor pode ser bela, sim. a dor é bela. talvez nunca venha a conseguir explicar a ninguém além da minha doce L. (que também o sabe sem que eu o explique...) a beleza - sim, mais do que prazer; mais do que luxúria; a beleza - dos beijos de uma lâmina na tua pele (eu tenho uma fraqueza tonta por pulsos...), o sangue a preencher lentamente o sulco que aquela deixou, vermelho e intenso e belo, e depois a escorrer livremente. oh, quem me dera saber pintar.

C.

afastas-te tanto. afastas-te tanto e eu nunca te vou perceber; nunca vou perceber porque é que caminhas na minha direcção até ficarmos suficientemente próximas para quase te tocar e depois te desvaneces. só assim. nunca vou perceber porque é que és diferente quando não estamos só nós as duas. e porquê a amargura na tua voz? acho que não sou egoísta. retribuo o que recebo. houve um tempo, sim, em que retribuía mais, tanto mais. mas nem eu posso ser tonta para sempre...

as coisas pequeninas

tens um dia terrivelmente cansativo. voltas a ter que deixar a tua menina, a tua bebé preciosa, longe de ti. dormiste pouco, e mal; numa cama demasiado grande para te ter só a ti; e de repente a tua vida parece-te tão cheia de dias iguais, de momentos apáticos intercalados por momentos dolorosos e tão pouca felicidade.  e sabes que não é verdade e que é só o peso deste dia mas tens dificuldade em ver além do cinzento. tens que tomar decisões e ser uma pessoa prática e racional e és tão má a ser uma pessoa prática e racional, e questionas-te a cada passo, e comparaste-te até ao mais ínfimo pormenor com cada alma com quem te cruzas, e às vezes (mas shhh, é segredo); às vezes quase procuras a infelicidade e não sabes bem porquê. não sabes de todo porquê.

mas por vezes vem o fim do dia e (mesmo depois de o sol já se pôr, de a luz bonita se ter ido embora) e encontras paz no teu coração. a paz no meu coração tem sido, ultimamente, conversas longas (e de enregelar os pés) à porta do prédio; sentada na soleira da porta enquanto o F. (como não poderia deixar de ser) percorre repetidamente uma espécie de meia elipse, à minha frente, e fala. (é especialmente bom quando eu apenas ouço, sim). nos dias em que tem o coração nas mãos os pés dele pisam mais frequentemente as linhas que separam uma zona mais iluminada do passeio de uma sombra qualquer, e eu sigo-lhe os passos com o olhar, e ouço, e gosto muito dele, ainda mais, se possível.
matemática, tenho tantas saudades de me apaixonar irreflectidamente por ti.

F.

às vezes tenho o hábito tonto de não querer de maneira nenhuma dar-te razão (ou o hábito tonto de evitar pensar no assunto para não concluir que tens muita razão...), sobretudo, julgo eu, porque sou muito orgulhosa. e em muitas destas vezes sou-te perfeitamente transparente, não sou?, e vês exactamente aquilo que eu estava a tentar disfarçar e obrigas-me a dizê-lo, e obrigada. obrigada por me fazeres dizer em voz alta as coisas em que tento não pensar; obrigada por não o fazeres por uma questão de ego, obrigada por me fazeres pensar. e admitir, quando as minhas ideias estão efectivamente erradas.

conheces-me melhor que ninguém (e muito melhor do que eu me conheço). e eu gosto tanto de ti. talvez penses que digo isto demasiadas vezes; eu acho que nunca serão suficientes. gosto tanto de ti.