the Danish Girl | find the courage to be yourself

vi o the Danish Girl e é para mim um daqueles filmes tão, tão bons que quase não quero falar nele; quero guardá-lo só  para mim, desfrutar dele comigo mesma, nos meus pensamentos. o filme narra a história (romanceada) de lili elbe - antes einar wegener, pintor norueguês -, uma das primeiras mulheres transgénero de que há registo; acompanha a transformação (digamos assim) do einar na lili, bem como a relação entre o einar e a sua mulher gerda.

visualmente, o filme é belíssimo. na minha opinião é mesmo daqueles que vale muito a pena ver no cinema; que planos incríveis, quanta beleza. houve momentos tão visualmente bem feitos, com um enquadramento tão equilibrado e elegante. gostei mesmo.

depois, os actores. admito que neste ponto ia com expectativas elevadas: adoro o eddie redmayne desde o seu papel magnífico n'os miseráveis  (oh, e quando ele canta a empty chairs at empty tables, que momento, quanta emoção!), e vi a alicia vikander pela primeira vez, brilhantemente, como a ava no ex machina, portanto estava ansiosa por ver mais. e nenhum dos dois desiludiu - embora ele tenha encantado mais que ela. achei-o mesmo perfeito para o papel; muito real, muito emotivo, a travar uma luta enorme.

a história em si é também extraordinária. não faço ideia de como será sentirmo-nos traídos pelo nosso próprio corpo, aprisionados num corpo que não sentimos como nosso, e ter toda a sociedade a dizer-nos que somos loucos e que o que estamos a sentir é errado e não devemos senti-lo. não faço ideia. o filme também fala disso, um pouco; de como por vezes lutamos conta nós mesmos porque nos dizem que o que nós somos é errado; e da outra luta, a de finalmente aceitarmos quem somos e todas as implicações que isso acarreta. o filme é ainda uma história de amor: a gerda, por amor, perdeu o marido (apoiando a certeza dele de ser não o einar mas a lili, apesar de isso significar que ela ficaria sem o seu amor), e apesar de o saber permaneceu sempre ao lado dele. achei-a inspiradora.

gostei mesmo, mesmo muito. houve quem o classificasse de chato ou lento; não posso discordar mais, sobretudo considerando que o filme retrata uma luta interior profunda e cheia de sentimentos contraditórios. não podia ser rápido e despachado; merece momentos lentos e muita reflexão. é provavelmente um dos filmes da minha vida e é um filme que merece absolutamente ser visto e apreciado.

2 comentários: