tenho uma péssima relação com dinheiro. penso que talvez resulte da forma como fui educada - numa casa de seis, aprendemos a poupar desde pequenas. o que é uma coisa boa, é claro; aprendi a não desperdiçar dinheiro com coisas absolutamente supérfluas, a fazer escolhas - será que quero ou preciso mesmo disto?, e quando comecei a ser monitora (yay!) criei uma conta poupança para onde ia, mensalmente, uma pequena parte do meu salário. tudo isto é bom. contudo, às vezes um miminho faz-nos bem. uma coisa não essencial que nos deixa feliz, alguma coisa que nos faça sentir bem. e eu não sei lidar com isto. a ideia enraizada em mim é a de que o dinheiro é um amo terrível, uma coisa absolutamente essencial que nos escraviza e que é fonte de dores de cabeça e preocupações toda a vida, quando a coisa razoável a fazer (parece-me) seria admitir que o dinheiro é necessário mas que também pode (e deve) ser usado para nos tornar, de algum modo, mais felizes (com algum bom senso, é claro).

isto significa que cada vez que penso em oferecer-me um miminho sinto-me quase num dilema moral. e que quando decido efectivamente oferecer-me um miminho sinto-me sempre culpada a posterori, e não feliz como devia estar. a preocupação consume-me - o que é que eu estou a fazer!, devia ter posto este dinheiro na conta poupança. é terrível, e tonto e imbecil. (por outro lado sinto-me magnificamente bem quando consigo poupar mais do que estava à espera em cada mês, e faz-me sentir incrivelmente bem pôr um bocadinho mais no banco - esse é o upside, mas acho que, contas feitas, é um upside muito modesto para aquilo que estou a perder.)

2 comentários:

  1. Tenho exactamente a mesma relação em relação ao dinheiro. A minha mãe costuma dizer "Gasta um bocadinho em ti de vez em quando, ele não está no banco para ganhar raízes!", mas fico sempre com remorsos, a pensar que se calhar vai aparecer alguma coisa eventualmente que eu quero mais e aí sim é que devo gastar. Ahhh.

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    1. exacto! eu e o filipe tínhamos falado em usar o dinheiro da nossa conta poupança para nos casarmos no fim do doutoramento. (fazer assim uma festa e tudo isso.) mas (e isto é horrível) às vezes penso que não sou capaz de "abdicar" de milhares de euros assim de repente, numa coisa de UM dia...fica sempre o "não, é melhor poupar porque nunca se sabe!"

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