[reminiscências]

entrei na sala, vi-o deitado na cama estreita, ligado à máquina, e vieram-me as lágrimas aos olhos. não as esperava: sabia o que estava a acontecer, sabia que ia acontecer e tenho dito a toda a gente que apesar de tudo isto vai ser uma coisa boa; que ele vai começar a sentir-se melhor, que o vai deixar mais preparado para tudo o que aí vem. mas entrei na sala e ele parecia tão frágil, ali deitado. e eu quero estar com ele o tempo todo e agarrar-lhe a mão e falar sobre pequenos nadas e não posso; ele está ali e eu estou longe dele, à espera, a perguntar-me o que ele estará a sentir, o que estará a acontecer, sem poder fazer nada.

1 de Setembro de 2015

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