a minha primeira relação "séria" aconteceu - desconfio agora, em retrospectiva; na altura dizia a mim mesma que o amor não escolhe circunstâncias - porque eu não poderia obter (não facilmente, não brevemente) o objecto do meu desejo. escrevo isto e quase me rio, porque o escondi de mim própria e magoei, e magoei-me. a questão é que a minha parte favorita de tudo eram (são?) inícios. quando o coração bate depressa e nada é certo e tudo se insinua, quando os actos inocentes se prolongam até quase deixarem de o ser, quando as palavras são mais doces e mais íntimas. quando o nosso ego (e isto também merece referência) se compraz consigo mesmo, quando despertamos a atenção de alguém e a mantemos; era isto que procurava, sempre, mais do que tudo. por isto cometi os piores erros, e continuei a cometê-los. uma parte de mim sentia que, sem tudo isto ou, pelo menos, sem a possibilidade de o vir a sentir em breve (a imprevisibilidade faz parte do seu charme) seria tão menos livre e tão menos feliz. sentia que relações amolecem e prendem e perdem aquela sua graça e que isso era inevitável, e insuportavelmente triste.

tu és o único com quem cada novo dia traz um dia mais feliz e radiante que o anterior, com quem essa zona difusa (mas magnífica!) que é o início não é, nem de longe, a melhor, e isso faz-me amar-te ainda mais

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