ouve-me

eu sei que estás cansado, e nervoso, amor. (eu também estive, e estou, e estaria nessa situação. de facto acho que tu sabes que eu sinto o que tu estás a sentir pretty much all the time. ou pelo menos duas vezes por ano.) e quero ajudar, e quero apoiar-te. sei que temos (ambos) tendência a ser mais impacientes quando a vida é menos simpática ou mais exigente connosco, e isso também está bem, porque te conheço e tu conheces-me e já sabemos que é assim. mas eu também preciso de ti. talvez em coisas mais pequenas, menos essenciais (como ir à secretaria levar um exemplar e uma pilha de papéis, sabes?), mas preciso. talvez seja só naquele beijo antes de adormecermos, mas preciso. ou num desculpa sincero (que sempre tarda em chegar...) depois de algumas palavras menos simpáticas, mas preciso. e tu não me ouves dizer isso (no meio do teu trabalho, das tuas preocupações); imagino que sintas que já tens dramas suficientes para te preocupar (e não te julgo por isso), mas eu não sou um drama, sou uma pessoa com inseguranças e necessidades que não desaparecem só porque era mais conveniente para ambos que desaparecessem. e tu dizes que precisas de mim (está certo, eu compreendo e fico feliz) e eu sei que estás ocupado (muito) mas esses dois factos não podem tornar-nos numa one-way relationship, porque isso não é relação nenhuma, é só triste.

não queria terminar abruptamente e há decerto muito mais coisas que gostaria de dizer-te, mas de repente sinto-me tão cansada. apetece-me um abraço que também tarda em chegar.

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