é Saramago e portanto é impossível não gostar, mas este livro magoa-me por dentro. estou habituada ao amor nos livros dele, o amor, àquela ligação profunda entre duas pessoas que as palavras dele captam como ninguém, e sinto falta disso, e dói-me que neste livro não haja amor até agora, ou não haja o amor, pelo menos. o ricardo reis beija a lídia, deseja-a e dorme com ela mas esconde-lhe (embora talvez ela saiba?) que o seu coração não é dela e nunca poderia pertencer-lhe. por outro lado, poderia talvez pertencer a marcenda, a quem beija genuinamente, embora não se fale (ainda) de amor - mas esconde-lhe a lídia e os seus encontros de alcova (que, tenho para mim, magoariam e afastariam marcenda irreversivelmente). estamos a falar do ricardo reis, frio, racional e com todos aqueles problemas em sentir, pelo que suponho que faça sentido que as suas ligações românticas sejam, enfim, diferentes, distantes. mas queria ser arrebatada com uma história de amor e a ausência deste na sua melhor forma é-me quase imperdoável.
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