tens um dia terrivelmente cansativo. voltas a ter que deixar a tua menina, a tua bebé preciosa, longe de ti. dormiste pouco, e mal; numa cama demasiado grande para te ter só a ti; e de repente a tua vida parece-te tão cheia de dias iguais, de momentos apáticos intercalados por momentos dolorosos e tão pouca felicidade. e sabes que não é verdade e que é só o peso deste dia mas tens dificuldade em ver além do cinzento. tens que tomar decisões e ser uma pessoa prática e racional e és tão má a ser uma pessoa prática e racional, e questionas-te a cada passo, e comparaste-te até ao mais ínfimo pormenor com cada alma com quem te cruzas, e às vezes (mas shhh, é segredo); às vezes quase procuras a infelicidade e não sabes bem porquê. não sabes de todo porquê.
mas por vezes vem o fim do dia e (mesmo depois de o sol já se pôr, de a luz bonita se ter ido embora) e encontras paz no teu coração. a paz no meu coração tem sido, ultimamente, conversas longas (e de enregelar os pés) à porta do prédio; sentada na soleira da porta enquanto o F. (como não poderia deixar de ser) percorre repetidamente uma espécie de meia elipse, à minha frente, e fala. (é especialmente bom quando eu apenas ouço, sim). nos dias em que tem o coração nas mãos os pés dele pisam mais frequentemente as linhas que separam uma zona mais iluminada do passeio de uma sombra qualquer, e eu sigo-lhe os passos com o olhar, e ouço, e gosto muito dele, ainda mais, se possível.
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